Valor Econômico - Especial - 26.03.2011 - A-16
Crise
Força de trabalho no país sofre com falta de preparo, cortes de gastos públicos devempiorar a situação
Educaçao ruim perpetua atraso português
Charlie Forelle
The Wall Street Journal
Isaabel Fernandes, uma animada jovem de 22 anos com uma constelação de estrelas tatuadas em torno de seu olho direito, não tem certeza de quantas vezes repetiu a quinta série. Duas, diz ela, com uma risada, talvez três. Ela repetiu a sétima série também. Isabel abandonou a escola após cursar a oitava série, aos 20 anos de idade.
Ela mora num bairro pobre perto do aeroporto. E não trabalha. Os empregadores, diz ela, "estão exigindo formação superior". Até mesmo empregos de limpeza estão difíceis de encontrar.
Portugal é o país mais pobre da Europa Ocidental. É também o menos escolarizado - e isso veio à tona como uma dolorosa vulnerabilidade em meio à sua crescente crise econômica.
Na noite de quarta-feira, a crise econômica tornou-se uma crise política. O Parlamento português rejeitou o plano de cortes de gastos e aumentos de impostos do premiê José Sócrates. Sócrates apresentou sua demissão. Ele permanecerá interinamente até que um novo governo seja formado.
Sem os cortes orçamentários, é quase certo que Portugal necessitará ajuda internacional. O país ficará sem dinheiro neste ano, caso não haja dinheiro novo, e os mercados estão cobrando taxas punitivas para conceder empréstimos.
Isso deixou os líderes da União Europeia (UE), reunidos em Bruxelas na quinta, atabalhoados para montar planos de contingência para o que poderá ser o terceiro socorro na zona do euro, após as ajudas a Grécia e Irlanda.
O estado do ensino em Portugal diz muito sobre por que um socorro será provavelmente necessário e por que um socorro seria caro e difícil. Portugal, simplesmente, precisa gerar suficiente crescimento econômico no longo prazo para zerar seu grande endividamento. Uma força de trabalho não qualificada torna isso difícil.
A mão de obra barata que no passado sustentou a indústria têxtil em Portugal desapareceu - foi para a Ásia. Os países que antes pertenciam ao bloco oriental e aderiram em massa à UE em 2004 demandam salários mais baixos e têm maior escolaridade. Eles vêm atraindo os empregos de maior qualificação.
Apenas 28% da população portuguesa entre 25 e 64 anos tem curso médio completo. Na Alemanha, são 85%; na República Tcheca, 91%; e nos EUA, 89%.
"Não vejo como Portugal vá crescer sem educar sua força de trabalho", diz Pedro Carneiro, hoje economista do University College, de Londres, mas que já havia deixado Portugal para fazer sua pós-graduação nos EUA. Os problemas do ensino em Portugal mostram a extensão do desafio europeu ao tentar aprumar-se em meio à crise da dívida soberana.
Um rápido e doloroso corte orçamentário, como os aplicados em todo o continente, é o primeiro passo. Mas o segundo é bem mais difícil e levará muito mais tempo. Os 17 países interligados pelo euro têm níveis extremamente distintos de desempenho econômico. A menos que o abismo seja reduzido, as pressões que fizeram com que os mais fracos entre eles acumulassem grandes volumes de endividamento que têm dificuldade para honrar sem dúvida ressurgirão.
A melhoria da escolaridade em Portugal não virá rapidamente. Fortes cortes em seus gastos com educação tornarão a tarefa mais difícil. E mesmo que haja melhorias, a colheita dos benefícios poderá levar anos.
Grécia e Irlanda, dois países da UE que foram socorridos, chegaram relativamente rápido à beira do abismo: a Grécia se perdeu após revelações de que tinha subestimado grosseiramente a precária situação fiscal do governo; a Irlanda imolou-se numa orgia de especulação imobiliária.
A crise em Portugal, ao contrário, chegou à fervura em fogo lento. Durante uma década, o crescimento de português ficou aquém da média na zona do euro. Setores tradicionais, como a colheita de cortiça e a costura de calçados não poderiam energizar o país inteiro. O boom tecnológico de meados da década de 2000 passou praticamente ao largo de Portugal.
Apesar disso, os portugueses gastavam. A economia - governo e setor privado, reunidos - tinha um déficit acumulado, em relação ao resto do mundo, superior a € 130 bilhões na década passada. O Estado não tem um orçamento equilibrado, que dirá um superávit, há mais de 30 anos.
O resultado é uma pilha de endividamento. A dívida do governo, em parte dívida interna, deverá se aproximar de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A economia como um todo - os setores público e privado -, tem uma dívida externa equivalente a mais de dois anos de produção econômica.
Antes de seu revés nesta semana, o premiê José Sócrates tinha conseguido que o Parlamento aprovasse alguns cortes no orçamento, sob pressão de outros países da zona do euro. Mas em entrevista antes da crise político de quarta-feira, Sócrates deixara claro que o investimento em educação é uma prioridade, apesar dos custos. Tranquilizar os mercados financeiros é importante, disse ele, mas o país não deve "perder sua estratégia e visão".
Apenas 28% dos portugueses entre 25 e 64 anos têm curso médio completo; na Alemanha, são 85%
Há evidências substanciais, de outros países, de que o ensino confere amplos benefícios econômicos. Uma geração atrás, a Irlanda era um dos países mais pobres na UE. Mas alocou subsídios da UE ao ensino técnico e renovou-se, transformando-se em destino de empregos de alta tecnologia, duplamente atraente devido a baixos impostos. A Irlanda é agora, mesmo depois de uma crise bancária brutal, um dos países mais ricos da Europa.
"Eles tinham uma força de trabalho suficientemente escolarizada para que pudessem converter-se em uma economia de base tecnológica - e eles partiram do zero", diz Eric Hanushek, professor da Universidade Stanford.
Hanushek e um professor da Universidade de Munique estabeleceram um vínculo entre crescimento do PIB e desempenho da população em testes padronizados. Eles estimam que a taxa de crescimento econômico portuguesa de longo prazo seria 1,5 ponto percentual maior se o país tirasse as mesmas notas que os superescolarizados finlandeses.
O ensino sempre ficou em segundo plano, aqui. "Países meridionais, como Portugal e Espanha - e o sul da França e a Itália -, sempre tiveram alguns problemas relacionados com a educação", diz António Nóvoa, historiador que é reitor da Universidade de Lisboa. "Tem sido assim desde o Século XVI."
A repressão da ditadura que governou Portugal de 1926 a 1974 defendia que "as pessoas não devem ter ambição de serem diferentes do que são", diz Nóvoa. O resultado foi analfabetismo generalizado e escassa escolaridade formal; apenas três anos eram obrigatórios. Enormes saltos foram dados desde a década de 1970, diz ele, mas "não é fácil mudar uma história de cinco séculos"
Portugal recém-instituiu 12 anos de escolaridade mínima; hoje, os portugueses podem abandonar os estudos depois da nona série. Muitos o fazem. O governo diz estar acelerando as reformas. Sócrates cita uma iniciativa que dá aos alunos computadores portáteis e um projeto de grande alcance de reconstrução de prédios escolares degradados. Os resultados para o ano passado mostram melhorias dos alunos em testes padronizados.
Mas é uma longa estrada. "Nós acumulamos anos e anos de pessoas ignorantes", diz Belmiro de Azevedo, um industrial bilionário.
Ele descreveu o sistema como "calcificado". O governo central exerce um controle rígido. Os currículos são a um só tempo pouco exigentes e rígidos. As taxas de desistência são elevadas. As escolas têm dificuldades para acomodar um afluxo de imigrantes das ex-colônias de Portugal na África, como Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Uma iniciativa de avaliação de professores deflagrou greves e manifestações desgastantes em 2008, azedando as relações entre os poderosos sindicatos de professores e o governo. A vida política dos ministros de Educação é medida em meses - desde a que a ditadura terminou, em 1974, foram 27 ministros.
Para os críticos do sistema, uma discussão que vem sendo travada em torno das escolas semiparticulares é emblemática do que está errado. Com orçamentos apertados, o governo impôs cortes profundos nas escolas que estão à margem do controle estatal - pouco importando que algumas estejam entre as melhores.
A estrada ao norte de Lisboa eleva-se suavemente do estuário do rio Tejo e atravessa vales de pinheiros e campos de trevos amarelos. Cerca de 50 quilômetros à frente, no município de Torres Vedras, a população distribui-se rarefeita por pequenas cidades que salpicam as estradas sinuosas rumo ao oceano.
Numa das cidades, A Dos Cunhados, a escola local não é administrada pelo governo nem a ele pertence. Sua gestão está a cargo da Igreja Católica, num arranjo que remonta ao fim da ditadura, quando o Estado Novo português descobriu que não dispunha de instalações suficientes.
No Externato de Penafirme, como em 90 outras escolas que funcionam nos termos dos chamados "contratos de associação", o Estado paga uma taxa de gestão a uma entidade privada que cumpre, em linhas gerais, o programa do Estado, mas contrata seus próprios professores.
O vice-diretor, Carlos Silva, antes deu aulas de química na rede pública de ensino. Ele foi realocado a quatro escolas em quatro anos. Frustrado, demitiu-se e entrou para um seminário. Depois, como padre, pediu ao bispo para retornar às salas de aula e foi alocado no Externato de Penafirme.
Em vez de receberem professores de uma lista, padre Silva e outros gestores dessas escolas semiparticulares selecionam seus próprios mestres. Eles adequam os currículos, acrescentando, por exemplo, mais instrução religiosa. Eles montam equipes de professores responsáveis por alunos e tentam resgatar aqueles inclinados a desistir.
"Nós fazemos um esforço enorme para levá-los, todos, até o final", diz José Mendes, administrador da escola. As notas obtidas por Penafirme nos testes a colocam entre as 15 melhores escolas secundárias em nível nacional. É a melhor em Torres Vedras.
Seus defensores dizem que as escolas sob gestão particular injetam uma dose necessária de pensamento renovado. "Precisamos manter um sistema diversificado", diz Eduardo Marçal Grilo, um ex-ministro da Educação.
Se há uma escola pública e uma privada no mesmo lugar, diz ele, "vamos ver qual é a melhor e, se a melhor for particular, o Estado pode fechar a pública e dar apoio à particular".
Mas em novembro os sacerdotes de Penafirme sofreram um choque. Enfrentando problemas financeiros - o orçamento do governo para a educação diminuiu 11% neste ano -, o Ministério da Educação disse que irá cortar de, em média, € 114 mil por turma, para € 80 mil, a verba que subsidia os contratos de associação. O padre Silva diz que gasta € 85 mil por turma apenas em salários e benefícios.
Para a atual ministra da Educação, Isabel Alçada, "não é justo" direcionar seus escassos recursos para entidades privadas, como Penafirme, enquanto as escolas públicas regulares têm necessidades graves. O que era antes um programa destinado a preencher lacunas transformou-se em "competição", reclama ela, na qual as operadoras privadas configuram trajetos de ônibus para atrair alunos.
Confrontado com os cortes, grupos de pais e alunos organizaram-se. Em dezembro, 4 mil pessoas deram-se as mãos formando um grande círculo em torno do campus de Penafirme. As imagens chegaram à TV. Surgiu um grupo no Facebook.
O ensino sempre ficou em segundo plano. "É assim desde o Século XVI", diz o reitor da Universidade de Lisboa
Em janeiro, houve uma greve três dias de alunos de dezenas de escolas sob gestão privada. Para dramatizar a alegação de que os cortes significariam a morte de suas escolas, pais e alunos de 55 colégios transportaram caixões até Lisboa e os colocaram na divisória central à frente do Ministério da Educação.
No mês passado, o Ministério da Educação cedeu um pouco, aceitando restaurar, neste semestre, parte dos recursos cortados.
Paulo Gonçalves, vendedor da Hewlett-Packard que atende o mercado empresarial e é presidente da associação de pais do Penafirme, diz que a flexibilização foi uma vitória, mas é preciso mais dinheiro para manter a alta qualidade suficiente para preparar os estudantes para uma faculdade. "Se você conquistar um diploma, em Portugal, ganhará mais ou menos o dobro dos não diplomados", diz ele. "Isso é o que eu ensino os meus filhos."
Isso é particularmente verdadeiro com o desemprego superior a 11%. "Com a crise, temos de ir à universidade", diz Sophie Alves, que em breve irá se formar em Penafirme e pretende estudar terapia ocupacional em uma faculdade. Só com um diploma ginasial, "não dá para fazer nada, apenas ser garçonete".
Com menos escolaridade ainda, as perspectivas são ainda mais sombrias. Fernandes, a jovem de 22 anos que cursou até a oitava série, vem frequentemente a uma escola em Apelação, onde uma minúscula organização sem fins lucrativos denominada Projeto Liderança tenta convencer os jovens a voltar aos bancos escolares ou os ajuda a conseguir emprego.
Serafim Gomes, também de 22 anos, estava lá numa tarde recente. Ele abandonou a escola na oitava série, sonhando tornar-se jogador de futebol profissional. Não deu certo. Agora ele trabalha ocasionalmente como garçom e torce para conseguir um emprego melhor.
Marco Monteiro, 16 anos, foi recentemente expulso de sua escola habitual. Por mau comportamento, diz ele. Ele espera voltar. "Eu não tenho escolaridade suficiente para encontrar trabalho", diz ele, e talvez arranjar emprego num shopping center. O diretor do projeto Liderança, António Embalo, elogiou-o por suas habilidades mecânicas. Não pensa em frequentar uma faculdade, talvez estudar engenharia?
"Isso nunca passou pela minha cabeça", disse Marco Monteiro. "Eu não conheço ninguém que frequente", completa.
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Carência de formação técnica
Folha de São Paulo, 20/03/2011 - São Paulo SP
País precisa aumentar formação técnica
Trabalhadores que possuem ensino médio incompleto são os que mais têm dificuldade de conseguir emprego. Especialistas dizem que governo deve aumentar investimento em ensino profissionalizante para diminuir carências
DE SÃO PAULO
O nível de desocupação caiu fortemente nos últimos anos para trabalhadores de todas as faixas de escolaridade. Mas algumas discrepâncias -dependendo do número de anos de estudo- se exacerbaram. Em 2002, a taxa de desemprego do grupo com 9 a 10 anos de estudo era três vezes maior do que a dos trabalhadores com escolaridade igual ou inferior a quatro anos. No ano passado, essa diferença havia saltado para sete vezes. Trabalhadores com ensino médio incompleto são, de longe, os que mais têm dificuldade de conseguir vaga. Mesmo com o desemprego no menor nível desde, pelo menos, 2002, e empresários reclamando da falta de mão de obra, a taxa de desocupação desse grupo foi de 22% no ano passado. O segundo maior nível de desemprego está entre aqueles que concluíram o ensino médio: 6,1%. Esse número é baixo se considerada a taxa de desemprego média de 9,6% do país nos últimos nove anos. Mas é o dobro da taxa de desocupação entre trabalhadores muito qualificados (mais de 15 anos de estudo) ou com pouco estudo (quatro anos ou menos). "Esses números refletem a dificuldade dos jovens, cuja escolaridade tem aumentado, em conseguir o primeiro emprego", diz Ruben Damião, sócio da Galeão Serviços de Investimentos.
CARÊNCIAS - Pedro Paulo Carbone, diretor-executivo do Ibmec Brasília, acredita que, se o governo não investir em cursos profissionalizantes, o desemprego para quem tem entre 9 e 11 anos de estudo tende a crescer: "A educação de segundo grau é inócua ou pouco efetiva para o mercado de trabalho atual. Serve apenas como ponte à universidade". Mesmo em relação ao ensino superior (trabalhadores desse grupo são os que enfrentam a menor taxa de desemprego), especialistas dizem que há distorções e carências que precisam ser atacadas no Brasil.
"Com a privatização do ensino superior, as empresas estão preocupadas em ter lucro. Oferecem cursos baratos para atrair a população de baixa renda, que está mais preocupada com o valor da mensalidade do que com a qualidade do conteúdo do curso", afirma Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Dieese. Segundo os especialistas, para dar continuidade ao crescimento, o país precisa de pessoas com formação em áreas como engenharia, ciências exatas, estatística, matemática e informática. "Não adianta somente formar administradores e advogados. O mercado precisa de mão de obra em outras áreas", diz Ganz Lucio. Gabriela Nobre Viana, 29, psicóloga com pós-graduação em gestão de RH, está prestes a desistir de procurar emprego em sua área. "Estou buscando há muito tempo e agora penso em partir para outra área de maior demanda", diz a psicóloga. (ERICA FRAGA E CLAUDIA ROLLI)
País precisa aumentar formação técnica
Trabalhadores que possuem ensino médio incompleto são os que mais têm dificuldade de conseguir emprego. Especialistas dizem que governo deve aumentar investimento em ensino profissionalizante para diminuir carências
DE SÃO PAULO
O nível de desocupação caiu fortemente nos últimos anos para trabalhadores de todas as faixas de escolaridade. Mas algumas discrepâncias -dependendo do número de anos de estudo- se exacerbaram. Em 2002, a taxa de desemprego do grupo com 9 a 10 anos de estudo era três vezes maior do que a dos trabalhadores com escolaridade igual ou inferior a quatro anos. No ano passado, essa diferença havia saltado para sete vezes. Trabalhadores com ensino médio incompleto são, de longe, os que mais têm dificuldade de conseguir vaga. Mesmo com o desemprego no menor nível desde, pelo menos, 2002, e empresários reclamando da falta de mão de obra, a taxa de desocupação desse grupo foi de 22% no ano passado. O segundo maior nível de desemprego está entre aqueles que concluíram o ensino médio: 6,1%. Esse número é baixo se considerada a taxa de desemprego média de 9,6% do país nos últimos nove anos. Mas é o dobro da taxa de desocupação entre trabalhadores muito qualificados (mais de 15 anos de estudo) ou com pouco estudo (quatro anos ou menos). "Esses números refletem a dificuldade dos jovens, cuja escolaridade tem aumentado, em conseguir o primeiro emprego", diz Ruben Damião, sócio da Galeão Serviços de Investimentos.
CARÊNCIAS - Pedro Paulo Carbone, diretor-executivo do Ibmec Brasília, acredita que, se o governo não investir em cursos profissionalizantes, o desemprego para quem tem entre 9 e 11 anos de estudo tende a crescer: "A educação de segundo grau é inócua ou pouco efetiva para o mercado de trabalho atual. Serve apenas como ponte à universidade". Mesmo em relação ao ensino superior (trabalhadores desse grupo são os que enfrentam a menor taxa de desemprego), especialistas dizem que há distorções e carências que precisam ser atacadas no Brasil.
"Com a privatização do ensino superior, as empresas estão preocupadas em ter lucro. Oferecem cursos baratos para atrair a população de baixa renda, que está mais preocupada com o valor da mensalidade do que com a qualidade do conteúdo do curso", afirma Clemente Ganz Lucio, diretor-técnico do Dieese. Segundo os especialistas, para dar continuidade ao crescimento, o país precisa de pessoas com formação em áreas como engenharia, ciências exatas, estatística, matemática e informática. "Não adianta somente formar administradores e advogados. O mercado precisa de mão de obra em outras áreas", diz Ganz Lucio. Gabriela Nobre Viana, 29, psicóloga com pós-graduação em gestão de RH, está prestes a desistir de procurar emprego em sua área. "Estou buscando há muito tempo e agora penso em partir para outra área de maior demanda", diz a psicóloga. (ERICA FRAGA E CLAUDIA ROLLI)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Valor Econômico - Empresas - 21/03/2011 - B4
Whitney compra universidade Veiga de Almeida, do Rio
Ensino
Beth Koike
De São Paulo
O grupo americano Whitney , que entrou no Brasil há seis anos comprando o Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador, fez sua segunda aquisição: comprou a Universidade Veiga de Almeida, localizada no Rio de Janeiro.
Segundo o Valor apurou, a aquisição foi de 80% do capital e envolveu assunção de dívidas da universidade carioca. O endividamento, incluindo passivos fiscais e contingências, seria de aproximadamente R$ 200 milhões.
"Não temos o hábito de divulgar dados de valores e número de alunos. O que posso dizer é que agora temos duas faculdades, a Unijorge e a Veiga de Almeida, que operam de forma independente, mas têm um acionista controlador em comum", afirmou João Arinos, presidente do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) e um dos responsáveis pelo grupo de ensino americano no país.
O reitor da universidade carioca, Mario Veiga de Almeida Júnior, negou que tenha ocorrido uma compra e classificou a operação apenas como uma associação a uma rede de ensino. "Desconheço qualquer aquisição e duvido que a Whitney tenha confirmado essa informação", disse Almeida Júnior.
Ainda de acordo com fontes do setor, Almeida Júnior está prospectando várias faculdades no Rio para a Whitney.
O presidente do Centro Universitário Jorge Amado confirma que o grupo americano quer retomar sua atuação no Brasil. Desde que desembarcou no país, a Whitney comprou apenas a Unijorge e há cerca de dois anos tentou vender, sem sucesso, a faculdade baiana. "Estamos retomando com força o mercado brasileiro. Não vamos ficar apenas na Bahia e no Rio. Temos forte interesse em crescer por meio de ensino a distância", disse Arinos. Ele conta que a Jorge Amado já tem autorização para abrir unidades de ensino a distância em São Paulo e em Curitiba, o que está previsto para ocorrer ainda este ano.
Hoje, a operação brasileira é a mais importante para o grupo americano que possui cerca de 32 mil alunos no país. Segundo dados do Inep, entidade do MEC, 15 mil estudantes são da Veiga Almeida e os outros 17 mil são da Unijorge, que em 2005 vendeu 60% do capital por R$ 23,5 milhões para a Whitney.
O foco do grupo americano são os países da América Latina. Hoje, está presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Panamá e a meta é fazer aquisições no México e no Peru. "Atualmente, o Brasil é o mercado mais importante, mas não quer dizer que essa situação permanecerá, após entrada no México e Peru", explicou Arinos.
Nos outros quatro países da América Latina, a Whitney tem forte atuação com ensino a distância, segundo Arinos.
Whitney compra universidade Veiga de Almeida, do Rio
Ensino
Beth Koike
De São Paulo
O grupo americano Whitney , que entrou no Brasil há seis anos comprando o Centro Universitário Jorge Amado, em Salvador, fez sua segunda aquisição: comprou a Universidade Veiga de Almeida, localizada no Rio de Janeiro.
Segundo o Valor apurou, a aquisição foi de 80% do capital e envolveu assunção de dívidas da universidade carioca. O endividamento, incluindo passivos fiscais e contingências, seria de aproximadamente R$ 200 milhões.
"Não temos o hábito de divulgar dados de valores e número de alunos. O que posso dizer é que agora temos duas faculdades, a Unijorge e a Veiga de Almeida, que operam de forma independente, mas têm um acionista controlador em comum", afirmou João Arinos, presidente do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) e um dos responsáveis pelo grupo de ensino americano no país.
O reitor da universidade carioca, Mario Veiga de Almeida Júnior, negou que tenha ocorrido uma compra e classificou a operação apenas como uma associação a uma rede de ensino. "Desconheço qualquer aquisição e duvido que a Whitney tenha confirmado essa informação", disse Almeida Júnior.
Ainda de acordo com fontes do setor, Almeida Júnior está prospectando várias faculdades no Rio para a Whitney.
O presidente do Centro Universitário Jorge Amado confirma que o grupo americano quer retomar sua atuação no Brasil. Desde que desembarcou no país, a Whitney comprou apenas a Unijorge e há cerca de dois anos tentou vender, sem sucesso, a faculdade baiana. "Estamos retomando com força o mercado brasileiro. Não vamos ficar apenas na Bahia e no Rio. Temos forte interesse em crescer por meio de ensino a distância", disse Arinos. Ele conta que a Jorge Amado já tem autorização para abrir unidades de ensino a distância em São Paulo e em Curitiba, o que está previsto para ocorrer ainda este ano.
Hoje, a operação brasileira é a mais importante para o grupo americano que possui cerca de 32 mil alunos no país. Segundo dados do Inep, entidade do MEC, 15 mil estudantes são da Veiga Almeida e os outros 17 mil são da Unijorge, que em 2005 vendeu 60% do capital por R$ 23,5 milhões para a Whitney.
O foco do grupo americano são os países da América Latina. Hoje, está presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Panamá e a meta é fazer aquisições no México e no Peru. "Atualmente, o Brasil é o mercado mais importante, mas não quer dizer que essa situação permanecerá, após entrada no México e Peru", explicou Arinos.
Nos outros quatro países da América Latina, a Whitney tem forte atuação com ensino a distância, segundo Arinos.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Estudo econômico em Portugal
O Estado de São Paulo, 15/03/2011 - São Paulo SP
Preços baixos atraem brasileiros às universidades de Portugal
Preços de mensalidades e acomodações têm levado brasileiros a procurar instituições lusitanas de ensino
Jair Rattner - Especial para a BBC Brasil
Diversos brasileiros estão indo a Portugal para estudar em universidades do país, principalmente devido aos preços das mensalidades e acomodação, em geral mais baratos do que nas instituições privadas do Brasil. “No Brasil, pelos quatro anos do curso, morando em uma república, eu iria gastar perto de R$ 40 mil. Aqui em Portugal, o curso vai sair por 3 mil euros (cerca de R$ 6,9 mil), e o que eu pago para me manter é muito menos do que pagaria lá”, diz Thiago Mourão, natural de Campo Mourão (PR), que deixou o curso de jornalismo do Ceumar, em Maringá, para estudar na Universidade Nova de Lisboa, onde está no segundo ano. “Como eu tenho o estatuto de igualdade de direitos entre portugueses e brasileiros, consegui uma bolsa de 180 euros por mês, um lugar numa residência universitária, onde pago 80 euros por mês, e as refeições na cantina da universidade saem por 2,50 euros. Os livros aqui são mais baratos e eu gasto ao todo 450 euros (R$ 1.050) por mês”. Para a cearense Elisianne Campos de Melo Soares, que faz mestrado em Cultura e Comunicação na Universidade de Lisboa, a decisão de ir para Portugal também foi tomada na ponta do lápis. “Havia um mestrado que me interessava na Universidade Federal da Bahia, mas seria mais caro. Era mais de R$ 1,5 mil por mês. Aqui em Lisboa, eu pago 1,2 mil euros (R$ 2.750) por ano”. Em Portugal desde setembro, o objetivo da brasileira é, depois de terminar o mestrado, fazer o doutorado em Portugal.
Sem portugueses - Na mais tradicional faculdade de direito de Portugal, a da Universidade de Lisboa, o advogado Emanuel Anderson Martins, que veio de Curitiba, vive uma situação peculiar: ele não tem colegas portugueses. “Há dois mestrados na faculdade, o científico e o profissionalizante, e os portugueses só querem o profissionalizante. No curso de Ciência Política, do mestrado científico, só há brasileiros na classe”, diz. Martins é advogado trabalhista, com um escritório na capital paranaense. Ele afirma que um dos problemas no Brasil é o número pequeno de vagas em relação à demanda, além das linhas de pesquisa pouco diversificadas. “Se formos para uma faculdade de qualidade, como a PUC de São Paulo ou o Mackenzie, a mensalidade mais barata fica entre R$ 2,5 mil e R$ 2,8 mil, o que daria mais de R$ 40 mil pelo curso. Em Portugal, há excelentes universidades e o país é uma referência para o desenvolvimento do direito brasileiro. Pelo curso inteiro vou pagar 3,5 mil euros, o que dá perto de R$ 8 mil”.
Dificuldades - A professora cearense Lídia Maropo, que fez o doutorado em Portugal e dá aulas de Teoria da Comunicação em faculdades portuguesas, diz que muitos brasileiros vão ao país europeu despreparados. “Aqui em Portugal, uma boa parte da bibliografia é em inglês. Muitos brasileiros que chegam não falam nem leem em inglês. Eles ficam perdidos nas aulas”, afirma. “Há alunos bons e outros despreparados, com uma desinformação muito grande, que não teriam condições de fazer mestrado no Brasil”. Entre as vantagens que Lídia aponta em Portugal, está a possibilidade de ter contato com a bibliografia mais recente. “Eu recebi uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, de Portugal, e tinha uma verba para a compra de livros. No Brasil, comprar de livros de fora é muito caro”. Na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, cujo MBA é considerado um das melhores da Europa, o número de brasileiros é menor.“Temos critérios extremamente seletivos, queremos sinalizar a qualidade”, diz o diretor para Assuntos Internacionais, Amaro de Matos, que estudou na USP e na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
Segundo Matos, metade dos alunos de mestrado da faculdade são estrangeiros, mas apenas 7,5% vêm do Brasil. “Fazemos parte da rede CEMS, na qual só entra a melhor escola de administração do país. Atraímos não só brasileiros, mas alunos da Europa Oriental, e até da Ásia”. Uma das características do MBA da Nova é que o curso é dado todo em inglês. Em relação às outras escolas da rede, Matos indica o custo para o aluno como uma grande vantagem. “Nas licenciaturas cobramos 900 euros por ano (R$ 2,1 mil) e nos mestrados 2,2 mil euros por semestre (R$ 5,1 mil)”, afirma. Financeiramente, esta pode ser uma das mais baratas da rede. “Na escola da Dinamarca, os alunos da União Europeia pagam zero, mas os de fora pagam o custo real que é de 15 mil euros por ano. Nós cobramos o mesmo de todos os alunos, seja holandês, dinamarquês, português ou brasileiro”.
Preços baixos atraem brasileiros às universidades de Portugal
Preços de mensalidades e acomodações têm levado brasileiros a procurar instituições lusitanas de ensino
Jair Rattner - Especial para a BBC Brasil
Diversos brasileiros estão indo a Portugal para estudar em universidades do país, principalmente devido aos preços das mensalidades e acomodação, em geral mais baratos do que nas instituições privadas do Brasil. “No Brasil, pelos quatro anos do curso, morando em uma república, eu iria gastar perto de R$ 40 mil. Aqui em Portugal, o curso vai sair por 3 mil euros (cerca de R$ 6,9 mil), e o que eu pago para me manter é muito menos do que pagaria lá”, diz Thiago Mourão, natural de Campo Mourão (PR), que deixou o curso de jornalismo do Ceumar, em Maringá, para estudar na Universidade Nova de Lisboa, onde está no segundo ano. “Como eu tenho o estatuto de igualdade de direitos entre portugueses e brasileiros, consegui uma bolsa de 180 euros por mês, um lugar numa residência universitária, onde pago 80 euros por mês, e as refeições na cantina da universidade saem por 2,50 euros. Os livros aqui são mais baratos e eu gasto ao todo 450 euros (R$ 1.050) por mês”. Para a cearense Elisianne Campos de Melo Soares, que faz mestrado em Cultura e Comunicação na Universidade de Lisboa, a decisão de ir para Portugal também foi tomada na ponta do lápis. “Havia um mestrado que me interessava na Universidade Federal da Bahia, mas seria mais caro. Era mais de R$ 1,5 mil por mês. Aqui em Lisboa, eu pago 1,2 mil euros (R$ 2.750) por ano”. Em Portugal desde setembro, o objetivo da brasileira é, depois de terminar o mestrado, fazer o doutorado em Portugal.
Sem portugueses - Na mais tradicional faculdade de direito de Portugal, a da Universidade de Lisboa, o advogado Emanuel Anderson Martins, que veio de Curitiba, vive uma situação peculiar: ele não tem colegas portugueses. “Há dois mestrados na faculdade, o científico e o profissionalizante, e os portugueses só querem o profissionalizante. No curso de Ciência Política, do mestrado científico, só há brasileiros na classe”, diz. Martins é advogado trabalhista, com um escritório na capital paranaense. Ele afirma que um dos problemas no Brasil é o número pequeno de vagas em relação à demanda, além das linhas de pesquisa pouco diversificadas. “Se formos para uma faculdade de qualidade, como a PUC de São Paulo ou o Mackenzie, a mensalidade mais barata fica entre R$ 2,5 mil e R$ 2,8 mil, o que daria mais de R$ 40 mil pelo curso. Em Portugal, há excelentes universidades e o país é uma referência para o desenvolvimento do direito brasileiro. Pelo curso inteiro vou pagar 3,5 mil euros, o que dá perto de R$ 8 mil”.
Dificuldades - A professora cearense Lídia Maropo, que fez o doutorado em Portugal e dá aulas de Teoria da Comunicação em faculdades portuguesas, diz que muitos brasileiros vão ao país europeu despreparados. “Aqui em Portugal, uma boa parte da bibliografia é em inglês. Muitos brasileiros que chegam não falam nem leem em inglês. Eles ficam perdidos nas aulas”, afirma. “Há alunos bons e outros despreparados, com uma desinformação muito grande, que não teriam condições de fazer mestrado no Brasil”. Entre as vantagens que Lídia aponta em Portugal, está a possibilidade de ter contato com a bibliografia mais recente. “Eu recebi uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, de Portugal, e tinha uma verba para a compra de livros. No Brasil, comprar de livros de fora é muito caro”. Na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, cujo MBA é considerado um das melhores da Europa, o número de brasileiros é menor.“Temos critérios extremamente seletivos, queremos sinalizar a qualidade”, diz o diretor para Assuntos Internacionais, Amaro de Matos, que estudou na USP e na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
Segundo Matos, metade dos alunos de mestrado da faculdade são estrangeiros, mas apenas 7,5% vêm do Brasil. “Fazemos parte da rede CEMS, na qual só entra a melhor escola de administração do país. Atraímos não só brasileiros, mas alunos da Europa Oriental, e até da Ásia”. Uma das características do MBA da Nova é que o curso é dado todo em inglês. Em relação às outras escolas da rede, Matos indica o custo para o aluno como uma grande vantagem. “Nas licenciaturas cobramos 900 euros por ano (R$ 2,1 mil) e nos mestrados 2,2 mil euros por semestre (R$ 5,1 mil)”, afirma. Financeiramente, esta pode ser uma das mais baratas da rede. “Na escola da Dinamarca, os alunos da União Europeia pagam zero, mas os de fora pagam o custo real que é de 15 mil euros por ano. Nós cobramos o mesmo de todos os alunos, seja holandês, dinamarquês, português ou brasileiro”.
terça-feira, 15 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Carpe Diem
sexta-feira, 11 de março de 2011
Matérias sobre educação
O Estado de São Paulo, 01/03/2011 - São Paulo SP
Sudeste é mais pessimista com o ensino público
Entre os moradores da região mais rica do País, 36% dizem que a educação pública piorou, aponta pesquisa do Ipea
Luciana Alvarez
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a percepção da sociedade em relação à educação, divulgada nesta segunda-feira, mostra que os moradores do Sudeste têm a visão mais pessimista em relação à evolução do ensino público. Na região, 36,1% disseram que a educação piorou – em nenhuma das demais regiões o índice chegou aos 20%. O Sudeste também apresentou o mais baixo índice dos que acreditam que a educação melhorou: 40%. No Centro-Oeste, com a maior taxa, 62,9% disseram que o ensino está melhor. Segundo Paulo Corbucci, pesquisador do Ipea que coordena a área de educação, as diferentes percepções regionais “fazem sentido” por causa da situação desigual do ensino no País. “Nas regiões onde as condições eram piores, as melhorias são mais sentidas”, explica Corbucci. “Há 15 anos, por exemplo, você tinha um problema grave de acesso à escola, em especial no Nordeste. Hoje houve uma aproximação dos patamares das Regiões Sul e Sudeste.” No estudo, quanto maior o nível de instrução e renda dos entrevistados, maior foi a porcentagem de respostas negativas. Dos pesquisados com curso superior completo, 35,4% afirmaram que a educação havia piorado, contra somente 21,4% daqueles com escolaridade da 5.ª à 8.ª série.
Dos que ganham de 10 a 20 salários mínimos, 34,2% consideram que o ensino está pior; dos que têm renda de até dois salários mínimos, a porcentagem foi de 19,3%. ProUni. O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi o que apresentou a maior visibilidade, com 61% dos entrevistados afirmando conhecê-lo – sendo que 80% disseram não ser bolsistas do programa nem ter amigos ou parentes que sejam. “O ProUni está muito na mídia, sobretudo na televisão. Além disso, é algo relativamente novo. O programa de merenda escolar beneficia um número muito maior – cerca de 30 milhões –, mas existe há décadas, é visto como parte da escola”, afirma Corbucci. A pesquisa, com 2.773 pessoas, foi feita entre 3 e 19 de novembro de 2010.
Folha de São Paulo, 02/03/2011 - São Paulo SP
Brasil investe 71% menos no fundamental que país rico
Gasto é de R$ 2.659 por aluno; comparação está em relatório da Unesco. Órgão da ONU para a educação leva em conta dados de 2007, quando valor investido foi 102% maior do que em 2000
ANGELA PINHO DE BRASÍLIA
Embora venha aumentando o investimento, o Brasil ainda gasta pouco em educação se comparado a países desenvolvidos. Relatório divulgado ontem pela Unesco (braço da ONU para educação) mostra que o Estado brasileiro investe US$ 1.598 (R$ 2.659) por ano em cada estudante dos quatro primeiros anos do ensino fundamental. É menos de um terço (28,76%) dos US$ 5.557 (R$ 9.246) investidos por países desenvolvidos. Os dados são de 2007, e a comparação considera o poder de compra das moedas. Em reais, números do Inep (instituto ligado ao Ministério da Educação) mostram que o investimento público por aluno nessa etapa de ensino foi de R$ 2.761 em 2008. Apesar de baixo se comparado ao mundo desenvolvido, o valor cresceu nos últimos anos e está 102% maior do que em 2000. Em números gerais, o Brasil gasta um montante similar aos países ricos em educação: 5,3% do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com o relatório. Mas, como muitas vezes tem o PIB menor ou mais estudantes, o gasto por aluno acaba ficando pequeno.
88º - O documento mostra também que o Brasil continua no 88º lugar no ranking de desenvolvimento educacional, atrás de países mais pobres, como Bolívia e Equador. Nas primeiras colocações, estão Japão, Reino Unido e Noruega. A lista leva em conta quatro pontos: matrículas no ensino primário, taxa de analfabetismo, igualdade de gênero na educação e percentual de alunos que chegam ao 5º ano (no caso do Brasil, foi considerado o quarto ano). Caso só os três primeiros fossem considerados, o país estaria na lista de alto desenvolvimento educacional, mas cai posições devido ao último O relatório não diz qual é o percentual de alunos que chegam ao 5º ano. Cita que o índice é o mesmo do documento de 2010 (0,756), que correspondia a 75,6%. O dado, porém, se referia a 2004. NÚMEROS DEFASADOS - O ministro Fernando Haddad (Educação) disse que irá estudar o documento da Unesco, mas afirmou que é preciso fazer a ressalva de que relatórios internacionais muitas vezes utilizam dados defasados.
Correio Braziliense, 01/03/2011 - Brasília DF
A educação brasileira continua na 88ª posição no ranking da Unesco
Ana Pompeu especial para o Correio
O Brasil permaneceu na 88ª posição do ranking do Relatório de Monitoramento Global de 2011 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a mesma do relatório anterior. O documento foi lançado nesta terça-feira (1°/3) em Nova York, e inclui 127 países na avaliação. O texto aponta ainda que o Brasil pode estar longe de alcançar as metas do compromosso Educação Para Todas (EPT) até 2015. O foco do relatório em 2011 é a relação entre educação e conflitos armados, que privam 28 milhões de crianças da oportunidade de estudar e as expõem ao risco de serem vítimas de violações e violência sexual, de ataques direcionados a escolas e outros atentados contra os direitos humanos. Essas condições não incluem o Brasil oficialmente, mas outras avaliações foram feitas para medir o desempenho dos países em relação ao EPT.
O compromisso Educação para Todos estabelece seis objetivos que devem ser atingidos pelos signatários até 2015: ampliar a educação para a primeira infância, universalizar o acesso à educação básica, garantir o atendimento de jovens em programas de aprendizagem, reduzir em 50% as taxa de analfabetismo, eliminar as disparidade de gênero no acesso ao ensino e melhorar a qualidade da educação. No topo da lista do indicador da Unesco então Japão, Reino Unido e Noruega. Chile, Uruguai e Argentina também estão à frente do Brasil, que teve um resultado mediano. O coodenador de educação da Unesco, Paolo Fontani, explica que para chegar a esse índice, a organização leva em conta a taxa de matrícula líquida, de alfabetização de adultos, de permancência na escola a partir do 5° ano, ou segundo segmento do ensino fundamental, e o índice de paridade de gênero, ou seja, a igualdade para homens e mulheres na educação. “O Brasil está no caminho certo, mas ainda há um longo caminho pela frente. O ponto que nos segurou e não deixou avançar mais foi a permanência das crianças na escola, que é de 75%, distante ainda da taxa dos países desenvolvidos”, analisa Fontani. Para o coordenador da Unesco, o país tem que superar anos de descaso com a educação, o que não é possível fazer em poucos anos. “Espero que o Brasil alcance as metas. Existem recursos para isso. Um país com a ambição não pode deixar a educação de lado”, completa.
Em 2007, cerca de 682 mil crianças estavam fora da escola no Brasil. Ainda existem mais de 14 milhões de brasileiros analfabetos. Para o prefessor de políticas públicas e gestão da educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni, para que o país resolva esses problemas, é preciso mais do que investimentos e aumento dos recursos para a área. “As metas são factíveis e o país tem condições de atingí-las, mas como a oferta da educaçãobásica é municipal e estadual, isso requer um enorme esforço do governo federal para exercer uma coordenação entre esses entes”. Para o educador, ainda é necessário que o governo atue nos estados e municípios oferecendo assitência técnica e capacitação dos profissionais da educação. “Nós sabemos onde estão os problemas. Agora, é agir para combatê-los”, afirma.
Em 2008, 67 milhões de crianças estavam fora da escola. O progresso em direção à universalização da escolarização está lento. Se as tendências atuais continuarem, pode haver mais crianças fora da escola em 2015 do que há hoje. Sobre a redução do analfabetismo, os dados apontam que 17% da população mundial ainda estão nessa situação. O objetivo de reduzir em 50% o número de analfabetos em cada um dos países signatários não será atingido por uma parcela dos participantes, de acordo com a Unesco. Para a coordenadora de vestibular da Trevisan Escola de Negócios, Letícia Bechara, mudar esse quadro requer mudar o foco também. “O Brasil já melhorou o acesso, mas ainda precisa focar na qualidade. E, nesse ponto, os alunos são os únicos avaliados. Não temos temos ainda um sistema de avaliação constante e efetivo do trabalho dos professores”. Ela lembra também que o tamanho continental do país e as grandes diferenças regionais pedem políticas regionais e específicas, o que não tem sido feito.
O Estado de São Paulo, 01/03/2011 - São Paulo SP
Países estão longe de atingir compromissos para melhoria da educação, avalia Unesco
Em relatório divulgado hoje, Brasil tem desempenho 'mediano' no cumprimento das metas do compromisso Educação para Todos
Agência Brasil
O compromisso assumido por 164 países, entre eles o Brasil, para melhorar a qualidade da educação no mundo até 2015 está “longe de ser atingido”. É o que aponta o Relatório de Monitoramento Global de 2011 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lançado nesta terça-feira, 1.º de março. O compromisso Educação para Todos (EPT) foi assinado em 2000 durante a Conferência Mundial de Educação em Dacar, no Senegal. Ele estabelece seis objetivos que devem ser atingidos pelos signatários até 2015: ampliar a educação para a primeira infância, universalizar o acesso à educação básica, garantir o atendimento de jovens em programas de aprendizagem, reduzir em 50% as taxa de analfabetismo, eliminar as disparidade de gênero no acesso ao ensino e melhorar a qualidade da educação.
A Unesco criou um índice (Education For All Development Index – EFA) para medir o desempenho dos países em relação ao cumprimento das metas. Entre os 127 países avaliados por esse indicador, o Brasil está no grupo com resultado “mediano” e ocupa a 88.° posição do ranking. No topo da lista estão o Japão, o Reino Unido e a Noruega. O Chile, o Uruguai e a Argentina são os latino-americanos que fazem parte da lista com alto índice. De acordo com a Unesco, embora tenha havido progresso em muitas áreas, como a melhoria do bem-estar na primeira infância, o número de crianças fora da escola vem caindo muito lentamente.
“Em 2008, 67 milhões de crianças estavam fora da escola. O progresso em direção à universalização da escolarização está mais lento. Se as tendências atuais continuarem, pode haver mais crianças fora da escola em 2015 do que há hoje”, alerta a pesquisa. Quase metade dessa população está concentrada em apenas 15 países, entre eles o Brasil, que tem 700 mil crianças fora da escola segundo os dados da Unesco. Como a velocidade da inclusão desse grupo vem caindo, a organização estima que, caso a tendência se mantenha, em 2015 serão 72 milhões sem acesso ao ensino no mundo.
Sobre a redução do analfabetismo, os dados apontam que 17% da população mundial ainda estão nessa situação. O objetivo de reduzir em 50% o percentual de analfabetos em cada um dos países signatários não será atingido por uma parcela dos participantes, de acordo com a Unesco. Segundo o órgão, o fracasso é reflexo do “descaso de longa data para com a alfabetização nas políticas educacionais”. Apenas dez países respondem por 72% do número total de adultos analfabetos, incluindo o Brasil, que ainda tem 14 milhões de pessoas maiores de 15 anos que não sabem ler e escrever. Segundo a Unesco, o esforço para atacar o problema tem sido irregular nas diferentes regiões do mundo.
O relatório cita a redução de 2,8 milhões de analfabetos no Brasil entre 2000 e 2007, além do “forte progresso na alfabetização universal de adultos” verificado na China. Já na Índia, o número de analfabetos adultos aumentou em 11 milhões na primeira metade da década passada. “A América Latina e o Caribe podem ser a exceção à regra de negligência. Desde o final da década de 90, programas de alfabetização de adultos na região foram beneficiados pelo momento de renovação política (…). No Brasil, o Programa Brasil Alfabetizado ofereceu cursos de alfabetização para 8 milhões de jovens e adultos que tiveram acesso limitado à educação formal”, destaca a organização.
Sudeste é mais pessimista com o ensino público
Entre os moradores da região mais rica do País, 36% dizem que a educação pública piorou, aponta pesquisa do Ipea
Luciana Alvarez
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a percepção da sociedade em relação à educação, divulgada nesta segunda-feira, mostra que os moradores do Sudeste têm a visão mais pessimista em relação à evolução do ensino público. Na região, 36,1% disseram que a educação piorou – em nenhuma das demais regiões o índice chegou aos 20%. O Sudeste também apresentou o mais baixo índice dos que acreditam que a educação melhorou: 40%. No Centro-Oeste, com a maior taxa, 62,9% disseram que o ensino está melhor. Segundo Paulo Corbucci, pesquisador do Ipea que coordena a área de educação, as diferentes percepções regionais “fazem sentido” por causa da situação desigual do ensino no País. “Nas regiões onde as condições eram piores, as melhorias são mais sentidas”, explica Corbucci. “Há 15 anos, por exemplo, você tinha um problema grave de acesso à escola, em especial no Nordeste. Hoje houve uma aproximação dos patamares das Regiões Sul e Sudeste.” No estudo, quanto maior o nível de instrução e renda dos entrevistados, maior foi a porcentagem de respostas negativas. Dos pesquisados com curso superior completo, 35,4% afirmaram que a educação havia piorado, contra somente 21,4% daqueles com escolaridade da 5.ª à 8.ª série.
Dos que ganham de 10 a 20 salários mínimos, 34,2% consideram que o ensino está pior; dos que têm renda de até dois salários mínimos, a porcentagem foi de 19,3%. ProUni. O Programa Universidade para Todos (ProUni) foi o que apresentou a maior visibilidade, com 61% dos entrevistados afirmando conhecê-lo – sendo que 80% disseram não ser bolsistas do programa nem ter amigos ou parentes que sejam. “O ProUni está muito na mídia, sobretudo na televisão. Além disso, é algo relativamente novo. O programa de merenda escolar beneficia um número muito maior – cerca de 30 milhões –, mas existe há décadas, é visto como parte da escola”, afirma Corbucci. A pesquisa, com 2.773 pessoas, foi feita entre 3 e 19 de novembro de 2010.
Folha de São Paulo, 02/03/2011 - São Paulo SP
Brasil investe 71% menos no fundamental que país rico
Gasto é de R$ 2.659 por aluno; comparação está em relatório da Unesco. Órgão da ONU para a educação leva em conta dados de 2007, quando valor investido foi 102% maior do que em 2000
ANGELA PINHO DE BRASÍLIA
Embora venha aumentando o investimento, o Brasil ainda gasta pouco em educação se comparado a países desenvolvidos. Relatório divulgado ontem pela Unesco (braço da ONU para educação) mostra que o Estado brasileiro investe US$ 1.598 (R$ 2.659) por ano em cada estudante dos quatro primeiros anos do ensino fundamental. É menos de um terço (28,76%) dos US$ 5.557 (R$ 9.246) investidos por países desenvolvidos. Os dados são de 2007, e a comparação considera o poder de compra das moedas. Em reais, números do Inep (instituto ligado ao Ministério da Educação) mostram que o investimento público por aluno nessa etapa de ensino foi de R$ 2.761 em 2008. Apesar de baixo se comparado ao mundo desenvolvido, o valor cresceu nos últimos anos e está 102% maior do que em 2000. Em números gerais, o Brasil gasta um montante similar aos países ricos em educação: 5,3% do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com o relatório. Mas, como muitas vezes tem o PIB menor ou mais estudantes, o gasto por aluno acaba ficando pequeno.
88º - O documento mostra também que o Brasil continua no 88º lugar no ranking de desenvolvimento educacional, atrás de países mais pobres, como Bolívia e Equador. Nas primeiras colocações, estão Japão, Reino Unido e Noruega. A lista leva em conta quatro pontos: matrículas no ensino primário, taxa de analfabetismo, igualdade de gênero na educação e percentual de alunos que chegam ao 5º ano (no caso do Brasil, foi considerado o quarto ano). Caso só os três primeiros fossem considerados, o país estaria na lista de alto desenvolvimento educacional, mas cai posições devido ao último O relatório não diz qual é o percentual de alunos que chegam ao 5º ano. Cita que o índice é o mesmo do documento de 2010 (0,756), que correspondia a 75,6%. O dado, porém, se referia a 2004. NÚMEROS DEFASADOS - O ministro Fernando Haddad (Educação) disse que irá estudar o documento da Unesco, mas afirmou que é preciso fazer a ressalva de que relatórios internacionais muitas vezes utilizam dados defasados.
Correio Braziliense, 01/03/2011 - Brasília DF
A educação brasileira continua na 88ª posição no ranking da Unesco
Ana Pompeu especial para o Correio
O Brasil permaneceu na 88ª posição do ranking do Relatório de Monitoramento Global de 2011 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a mesma do relatório anterior. O documento foi lançado nesta terça-feira (1°/3) em Nova York, e inclui 127 países na avaliação. O texto aponta ainda que o Brasil pode estar longe de alcançar as metas do compromosso Educação Para Todas (EPT) até 2015. O foco do relatório em 2011 é a relação entre educação e conflitos armados, que privam 28 milhões de crianças da oportunidade de estudar e as expõem ao risco de serem vítimas de violações e violência sexual, de ataques direcionados a escolas e outros atentados contra os direitos humanos. Essas condições não incluem o Brasil oficialmente, mas outras avaliações foram feitas para medir o desempenho dos países em relação ao EPT.
O compromisso Educação para Todos estabelece seis objetivos que devem ser atingidos pelos signatários até 2015: ampliar a educação para a primeira infância, universalizar o acesso à educação básica, garantir o atendimento de jovens em programas de aprendizagem, reduzir em 50% as taxa de analfabetismo, eliminar as disparidade de gênero no acesso ao ensino e melhorar a qualidade da educação. No topo da lista do indicador da Unesco então Japão, Reino Unido e Noruega. Chile, Uruguai e Argentina também estão à frente do Brasil, que teve um resultado mediano. O coodenador de educação da Unesco, Paolo Fontani, explica que para chegar a esse índice, a organização leva em conta a taxa de matrícula líquida, de alfabetização de adultos, de permancência na escola a partir do 5° ano, ou segundo segmento do ensino fundamental, e o índice de paridade de gênero, ou seja, a igualdade para homens e mulheres na educação. “O Brasil está no caminho certo, mas ainda há um longo caminho pela frente. O ponto que nos segurou e não deixou avançar mais foi a permanência das crianças na escola, que é de 75%, distante ainda da taxa dos países desenvolvidos”, analisa Fontani. Para o coordenador da Unesco, o país tem que superar anos de descaso com a educação, o que não é possível fazer em poucos anos. “Espero que o Brasil alcance as metas. Existem recursos para isso. Um país com a ambição não pode deixar a educação de lado”, completa.
Em 2007, cerca de 682 mil crianças estavam fora da escola no Brasil. Ainda existem mais de 14 milhões de brasileiros analfabetos. Para o prefessor de políticas públicas e gestão da educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni, para que o país resolva esses problemas, é preciso mais do que investimentos e aumento dos recursos para a área. “As metas são factíveis e o país tem condições de atingí-las, mas como a oferta da educaçãobásica é municipal e estadual, isso requer um enorme esforço do governo federal para exercer uma coordenação entre esses entes”. Para o educador, ainda é necessário que o governo atue nos estados e municípios oferecendo assitência técnica e capacitação dos profissionais da educação. “Nós sabemos onde estão os problemas. Agora, é agir para combatê-los”, afirma.
Em 2008, 67 milhões de crianças estavam fora da escola. O progresso em direção à universalização da escolarização está lento. Se as tendências atuais continuarem, pode haver mais crianças fora da escola em 2015 do que há hoje. Sobre a redução do analfabetismo, os dados apontam que 17% da população mundial ainda estão nessa situação. O objetivo de reduzir em 50% o número de analfabetos em cada um dos países signatários não será atingido por uma parcela dos participantes, de acordo com a Unesco. Para a coordenadora de vestibular da Trevisan Escola de Negócios, Letícia Bechara, mudar esse quadro requer mudar o foco também. “O Brasil já melhorou o acesso, mas ainda precisa focar na qualidade. E, nesse ponto, os alunos são os únicos avaliados. Não temos temos ainda um sistema de avaliação constante e efetivo do trabalho dos professores”. Ela lembra também que o tamanho continental do país e as grandes diferenças regionais pedem políticas regionais e específicas, o que não tem sido feito.
O Estado de São Paulo, 01/03/2011 - São Paulo SP
Países estão longe de atingir compromissos para melhoria da educação, avalia Unesco
Em relatório divulgado hoje, Brasil tem desempenho 'mediano' no cumprimento das metas do compromisso Educação para Todos
Agência Brasil
O compromisso assumido por 164 países, entre eles o Brasil, para melhorar a qualidade da educação no mundo até 2015 está “longe de ser atingido”. É o que aponta o Relatório de Monitoramento Global de 2011 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lançado nesta terça-feira, 1.º de março. O compromisso Educação para Todos (EPT) foi assinado em 2000 durante a Conferência Mundial de Educação em Dacar, no Senegal. Ele estabelece seis objetivos que devem ser atingidos pelos signatários até 2015: ampliar a educação para a primeira infância, universalizar o acesso à educação básica, garantir o atendimento de jovens em programas de aprendizagem, reduzir em 50% as taxa de analfabetismo, eliminar as disparidade de gênero no acesso ao ensino e melhorar a qualidade da educação.
A Unesco criou um índice (Education For All Development Index – EFA) para medir o desempenho dos países em relação ao cumprimento das metas. Entre os 127 países avaliados por esse indicador, o Brasil está no grupo com resultado “mediano” e ocupa a 88.° posição do ranking. No topo da lista estão o Japão, o Reino Unido e a Noruega. O Chile, o Uruguai e a Argentina são os latino-americanos que fazem parte da lista com alto índice. De acordo com a Unesco, embora tenha havido progresso em muitas áreas, como a melhoria do bem-estar na primeira infância, o número de crianças fora da escola vem caindo muito lentamente.
“Em 2008, 67 milhões de crianças estavam fora da escola. O progresso em direção à universalização da escolarização está mais lento. Se as tendências atuais continuarem, pode haver mais crianças fora da escola em 2015 do que há hoje”, alerta a pesquisa. Quase metade dessa população está concentrada em apenas 15 países, entre eles o Brasil, que tem 700 mil crianças fora da escola segundo os dados da Unesco. Como a velocidade da inclusão desse grupo vem caindo, a organização estima que, caso a tendência se mantenha, em 2015 serão 72 milhões sem acesso ao ensino no mundo.
Sobre a redução do analfabetismo, os dados apontam que 17% da população mundial ainda estão nessa situação. O objetivo de reduzir em 50% o percentual de analfabetos em cada um dos países signatários não será atingido por uma parcela dos participantes, de acordo com a Unesco. Segundo o órgão, o fracasso é reflexo do “descaso de longa data para com a alfabetização nas políticas educacionais”. Apenas dez países respondem por 72% do número total de adultos analfabetos, incluindo o Brasil, que ainda tem 14 milhões de pessoas maiores de 15 anos que não sabem ler e escrever. Segundo a Unesco, o esforço para atacar o problema tem sido irregular nas diferentes regiões do mundo.
O relatório cita a redução de 2,8 milhões de analfabetos no Brasil entre 2000 e 2007, além do “forte progresso na alfabetização universal de adultos” verificado na China. Já na Índia, o número de analfabetos adultos aumentou em 11 milhões na primeira metade da década passada. “A América Latina e o Caribe podem ser a exceção à regra de negligência. Desde o final da década de 90, programas de alfabetização de adultos na região foram beneficiados pelo momento de renovação política (…). No Brasil, o Programa Brasil Alfabetizado ofereceu cursos de alfabetização para 8 milhões de jovens e adultos que tiveram acesso limitado à educação formal”, destaca a organização.
Excesso de confiança nos investimentos
Valor Econômico - Eu & Investimentos - 09.03.2011 -D2
Palavra do gestor :
O excesso de confiança e a alternativa da aplicação em fundos
Lilian Gallagher
Embora digam que o diferencial do ser humano para os demais seres do reino animal seja a sua capacidade de raciocinar, sabemos que, na prática, questões emocionais costumam ser responsáveis pelas nossas decisões.
Os estudos sobre finanças comportamentais listam uma série de vieses que interferem nessa capacidade de sermos racionais e que atrapalham nossa vida enquanto investidores. Dentre esses vieses, gostaria de abordar a questão do excesso de confiança, uma característica que superestima nossa capacidade de execução ou avaliação de algo.
Para começar, gostaria de citar uma pesquisa realizada com uma plateia. A pergunta foi: "Você se considera com capacidade superior à média para dirigir automóvel?". Oitenta por cento da plateia disse que sim. Sabe-se, entretanto, que um número razoável de respostas seria na casa dos 50%. Esse é um caso típico de excesso de confiança.
Podemos, agora, transportar esse caso para o mundo dos investimentos. Ao longo dos meus 20 anos de experiência no mercado financeiro, já ouvi inúmeras vezes o investidor dizendo que é capaz de fazer melhor que o gestor de fundos e que, por isso, gosta de fazer ele próprio suas próprias escolhas e negociações de ações.
Além disso, muitos investidores, visando confirmar essa capacidade nata e "sobrenatural", ainda acrescentam histórias do tipo: "Comprei essa ação por R$ 30,00 e vendi por R$ 39,00. Logo, ganhei 30%. Que fundo me daria essa rentabilidade?"
Esse tipo de investidor nunca se lembra das perdas, não contabiliza os custos de corretagem, emolumentos e custódia, nem considera o tempo que levou para obter esse ganho. Mas para que pensar em coisas ruins? Muito melhor é buscar casos de sucesso e que confirmam nossas convicções em vez de ficar falando das perdas, que nos colocam para baixo.
Além disso, o investidor menos informado acredita que o ideal é ficar comprando e vendendo com frequência. Não resta dúvida de que esse é o cliente ideal da corretora. Afinal, toda vez que o investidor realiza um negócio na bolsa, ele paga corretagem, aumentando os cofres da corretora e empobrecendo o do investidor.
O meu intuito neste artigo é alertá-lo para um investimento consciente, aquele que é tomado com base em análises sólidas, sem vieses. Muitos me perguntarão como isso é possível e a minha resposta sempre será "aplicando em um fundo de investimento que vem entregando boa performance, que seja de uma casa gestora competente e cuja política de investimento você considere ganhadora".
O fundo de investimento é um veículo com muitas vantagens. Para começar, ele é capaz de medir com bastante acuidade a rentabilidade do investidor, levando em consideração todos os custos incorridos nas transações e as variações positivas e negativas nos preços dos papéis. Ou seja, os fundos não nos deixam mentir, nem permitem esconder as deficiências ou qualidades positivas do gestor.
Além disso, uma asset competente utiliza softwares de análise de risco sofisticados e tem profissionais altamente qualificados, capazes de selecionar a informação relevante para a tomada de decisão, sem se perder num emaranhado de notícias e números que mais confundem do que agregam valor.
Sem falar que, normalmente, suas decisões estratégicas são tomadas em comitês e raramente de forma isolada, o que tende a diminuir os vieses emocionais, aumentando a chance de sucesso.
Por fim, se aplicar seu dinheiro em fundos pode parecer algo tão enfadonho, que não requer o acompanhamento do investimento durante todo o tempo do pregão, algo que desconsidera sua capacidade e auto-confiança elevada, que tal se dedicar, então, a estudar os fundos para fazer a escolha do fundo certo?
Se investir em fundos parece coisa de investidor sem informação, fica aqui uma opinião: a aplicação em fundos de investimento é uma forma sofisticada de investir de forma racional, em busca de retornos consistentes com diversificação e liquidez. Afinal, é seu rico dinheirinho que está em jogo e não vale à pena brincar com essas coisas.
Lilian Gallagher é autora dos livros "Minutos de Riqueza" e "Planeje seu Futuro Financeiro"
E-mail lilian@liliangallagher. com.br
Palavra do gestor :
O excesso de confiança e a alternativa da aplicação em fundos
Lilian Gallagher
Embora digam que o diferencial do ser humano para os demais seres do reino animal seja a sua capacidade de raciocinar, sabemos que, na prática, questões emocionais costumam ser responsáveis pelas nossas decisões.
Os estudos sobre finanças comportamentais listam uma série de vieses que interferem nessa capacidade de sermos racionais e que atrapalham nossa vida enquanto investidores. Dentre esses vieses, gostaria de abordar a questão do excesso de confiança, uma característica que superestima nossa capacidade de execução ou avaliação de algo.
Para começar, gostaria de citar uma pesquisa realizada com uma plateia. A pergunta foi: "Você se considera com capacidade superior à média para dirigir automóvel?". Oitenta por cento da plateia disse que sim. Sabe-se, entretanto, que um número razoável de respostas seria na casa dos 50%. Esse é um caso típico de excesso de confiança.
Podemos, agora, transportar esse caso para o mundo dos investimentos. Ao longo dos meus 20 anos de experiência no mercado financeiro, já ouvi inúmeras vezes o investidor dizendo que é capaz de fazer melhor que o gestor de fundos e que, por isso, gosta de fazer ele próprio suas próprias escolhas e negociações de ações.
Além disso, muitos investidores, visando confirmar essa capacidade nata e "sobrenatural", ainda acrescentam histórias do tipo: "Comprei essa ação por R$ 30,00 e vendi por R$ 39,00. Logo, ganhei 30%. Que fundo me daria essa rentabilidade?"
Esse tipo de investidor nunca se lembra das perdas, não contabiliza os custos de corretagem, emolumentos e custódia, nem considera o tempo que levou para obter esse ganho. Mas para que pensar em coisas ruins? Muito melhor é buscar casos de sucesso e que confirmam nossas convicções em vez de ficar falando das perdas, que nos colocam para baixo.
Além disso, o investidor menos informado acredita que o ideal é ficar comprando e vendendo com frequência. Não resta dúvida de que esse é o cliente ideal da corretora. Afinal, toda vez que o investidor realiza um negócio na bolsa, ele paga corretagem, aumentando os cofres da corretora e empobrecendo o do investidor.
O meu intuito neste artigo é alertá-lo para um investimento consciente, aquele que é tomado com base em análises sólidas, sem vieses. Muitos me perguntarão como isso é possível e a minha resposta sempre será "aplicando em um fundo de investimento que vem entregando boa performance, que seja de uma casa gestora competente e cuja política de investimento você considere ganhadora".
O fundo de investimento é um veículo com muitas vantagens. Para começar, ele é capaz de medir com bastante acuidade a rentabilidade do investidor, levando em consideração todos os custos incorridos nas transações e as variações positivas e negativas nos preços dos papéis. Ou seja, os fundos não nos deixam mentir, nem permitem esconder as deficiências ou qualidades positivas do gestor.
Além disso, uma asset competente utiliza softwares de análise de risco sofisticados e tem profissionais altamente qualificados, capazes de selecionar a informação relevante para a tomada de decisão, sem se perder num emaranhado de notícias e números que mais confundem do que agregam valor.
Sem falar que, normalmente, suas decisões estratégicas são tomadas em comitês e raramente de forma isolada, o que tende a diminuir os vieses emocionais, aumentando a chance de sucesso.
Por fim, se aplicar seu dinheiro em fundos pode parecer algo tão enfadonho, que não requer o acompanhamento do investimento durante todo o tempo do pregão, algo que desconsidera sua capacidade e auto-confiança elevada, que tal se dedicar, então, a estudar os fundos para fazer a escolha do fundo certo?
Se investir em fundos parece coisa de investidor sem informação, fica aqui uma opinião: a aplicação em fundos de investimento é uma forma sofisticada de investir de forma racional, em busca de retornos consistentes com diversificação e liquidez. Afinal, é seu rico dinheirinho que está em jogo e não vale à pena brincar com essas coisas.
Lilian Gallagher é autora dos livros "Minutos de Riqueza" e "Planeje seu Futuro Financeiro"
E-mail lilian@liliangallagher. com.br
sábado, 5 de março de 2011
Currículo verde nas universidades
Valor Econômico › Impresso › Eu & Carreira - -04.03.2011 - D12
Carona no crescimento
As oportunidades que vão surgir com o forte ciclo de investimentos produtivos que está em curso no país
Sustentabilidade: Temas como biodiversidade, agroecologia e energias renováveis despontam nos currículos.
Universidades lançam cursos voltados para o mercado "verde"
Vívian Soares | De São Paulo
04/03/2011
A preocupação do mercado com o impacto social e ambiental dos negócios está fazendo as universidades brasileiras criarem cursos de graduação que tenham a sustentabilidade como um de seus principais pilares.
Nos últimos anos, os currículos de bacharelados e licenciaturas têm ganhado novas ênfases como biodiversidade, agroecologia e energias renováveis. Mesmo com enfoque "verde", as escolas não deixaram de lado a empregabilidade dos recém-formados, fechando parcerias com empresas e adaptando seus conteúdos às necessidades das companhias nas regiões onde atuam.
A maior parte dos novos cursos se concentra em áreas como engenharia e agronomia. A formação técnica, no entanto, passa a ser complementada por disciplinas que relacionam a atividade produtiva ao impacto social e ambiental. "Como essa é uma questão cada vez mais valorizada pelas indústrias, os alunos precisam ter formação multidisciplinar, com uma visão moderna desse novo mercado", afirma Carlos Carneiro, coordenador do curso de engenharia mecânica: energias renováveis e tecnologia não poluente da Universidade Anhembi Morumbi, criado no ano passado.
A instituição abriu recentemente uma graduação em engenharia ambiental e sanitária. Ambos os bacharelados já possuem parcerias com indústrias e um laboratório de estudos em produção limpa. "As empresas brasileiras já têm a consciência de que produzir de forma mais eficiente envolve menos impacto ambiental e gastos de energia. Isso exige profissionais que tenham perfil e formação especializados", afirma Carneiro.
O futuro da produção de energia também motivou a criação do bacharelado em engenharia de energias renováveis e ambiente, na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2006. Inicialmente dirigido ao agronegócio, o curso, que fica em Bagé, no Rio Grande do Sul, voltou-se para as tecnologias renováveis. A mudança abriu portas para os alunos, uma vez que três parques eólicos estão sendo construídos na região. "O mercado de trabalho é amplo e abrange usinas de energia, renovável ou não, e qualquer indústria que tenha preocupação com a eficiência energética", afirma a coordenadora Cristine Schwanke.
Apesar de novo e ainda sem nenhuma turma formada, o curso já é o segundo mais disputado do campus, só perdendo para a engenharia de produção. "O currículo prevê uma mistura de conhecimentos básicos, específicos e profissionalizantes, sempre permeados pela parte ambiental", diz.
Incentivada pelo Governo Federal por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a interdisciplinaridade também é a marca do curso de agroecologia e biotecnologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com campus em Santarém. Com 200 recém-ingressos, a nova graduação começou as aulas em 24 de fevereiro.
Segundo João Ricardo Gama, diretor do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da instituição, os alunos escolhem a ênfase que vão dar ao curso após o segundo semestre. No final, os formandos podem ter diplomas de farmácia, agronomia, engenharia florestal ou zootecnia. No futuro, os estudantes ainda poderão escolher a especialização em engenharia de alimentos.
Todas as graduações têm a sustentabilidade como viés principal. "O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, passando pela transformação da biodiversidade em produto", afirma Gama. Segundo ele, a demanda na região é grande para profissionais com essa formação. "Além de empresas e órgãos públicos, há possibilidade de atuação em assentamentos e comunidades de agricultura familiar."
A agricultura familiar, inclusive, foi a principal motivadora do curso de agroecologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), criado em 2009 e já na sua terceira turma. A coordenadora do curso, Anastácia Fontanetti, acredita que a ênfase nas pequenas comunidades não limita a atuação do profissional. "O curso foi criado para atender à necessidade do mercado, que exigia profissionais de agronomia com visão mais ampla tanto da parte produtiva quanto dos impactos ambiental e social."
O escopo abrangente, na opinião da coordenadora, torna o profissional com essa formação apto para trabalhar em mercados locais, com certificação de produtos orgânicos, e nas grandes empresas. "Nessas companhias, o agroecólogo pode atuar com restauração de áreas degradadas, avaliação e perícias de impacto ambiental", explica.
A relação candidato/vaga do curso, que é oferecido no campus de Araras, no interior de São Paulo, quase dobrou este ano em relação a 2010. O aumento do interesse dos alunos tem feito com que a coordenação busque parcerias com empresas e órgãos públicos. "Já recebemos pedidos de indicação para assistência técnica em agricultura orgânica", comemora. O futuro da profissão, segundo Anastácia, é promissor. "A agronomia é uma atividade que está se valorizando no Brasil. A agroecologia vai além e atende a essa demanda de sustentabilidade, que será cada vez mais cobrada do profissional."
Carona no crescimento
As oportunidades que vão surgir com o forte ciclo de investimentos produtivos que está em curso no país
Sustentabilidade: Temas como biodiversidade, agroecologia e energias renováveis despontam nos currículos.
Universidades lançam cursos voltados para o mercado "verde"
Vívian Soares | De São Paulo
04/03/2011
A preocupação do mercado com o impacto social e ambiental dos negócios está fazendo as universidades brasileiras criarem cursos de graduação que tenham a sustentabilidade como um de seus principais pilares.
Nos últimos anos, os currículos de bacharelados e licenciaturas têm ganhado novas ênfases como biodiversidade, agroecologia e energias renováveis. Mesmo com enfoque "verde", as escolas não deixaram de lado a empregabilidade dos recém-formados, fechando parcerias com empresas e adaptando seus conteúdos às necessidades das companhias nas regiões onde atuam.
A maior parte dos novos cursos se concentra em áreas como engenharia e agronomia. A formação técnica, no entanto, passa a ser complementada por disciplinas que relacionam a atividade produtiva ao impacto social e ambiental. "Como essa é uma questão cada vez mais valorizada pelas indústrias, os alunos precisam ter formação multidisciplinar, com uma visão moderna desse novo mercado", afirma Carlos Carneiro, coordenador do curso de engenharia mecânica: energias renováveis e tecnologia não poluente da Universidade Anhembi Morumbi, criado no ano passado.
A instituição abriu recentemente uma graduação em engenharia ambiental e sanitária. Ambos os bacharelados já possuem parcerias com indústrias e um laboratório de estudos em produção limpa. "As empresas brasileiras já têm a consciência de que produzir de forma mais eficiente envolve menos impacto ambiental e gastos de energia. Isso exige profissionais que tenham perfil e formação especializados", afirma Carneiro.
O futuro da produção de energia também motivou a criação do bacharelado em engenharia de energias renováveis e ambiente, na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2006. Inicialmente dirigido ao agronegócio, o curso, que fica em Bagé, no Rio Grande do Sul, voltou-se para as tecnologias renováveis. A mudança abriu portas para os alunos, uma vez que três parques eólicos estão sendo construídos na região. "O mercado de trabalho é amplo e abrange usinas de energia, renovável ou não, e qualquer indústria que tenha preocupação com a eficiência energética", afirma a coordenadora Cristine Schwanke.
Apesar de novo e ainda sem nenhuma turma formada, o curso já é o segundo mais disputado do campus, só perdendo para a engenharia de produção. "O currículo prevê uma mistura de conhecimentos básicos, específicos e profissionalizantes, sempre permeados pela parte ambiental", diz.
Incentivada pelo Governo Federal por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a interdisciplinaridade também é a marca do curso de agroecologia e biotecnologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com campus em Santarém. Com 200 recém-ingressos, a nova graduação começou as aulas em 24 de fevereiro.
Segundo João Ricardo Gama, diretor do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da instituição, os alunos escolhem a ênfase que vão dar ao curso após o segundo semestre. No final, os formandos podem ter diplomas de farmácia, agronomia, engenharia florestal ou zootecnia. No futuro, os estudantes ainda poderão escolher a especialização em engenharia de alimentos.
Todas as graduações têm a sustentabilidade como viés principal. "O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, passando pela transformação da biodiversidade em produto", afirma Gama. Segundo ele, a demanda na região é grande para profissionais com essa formação. "Além de empresas e órgãos públicos, há possibilidade de atuação em assentamentos e comunidades de agricultura familiar."
A agricultura familiar, inclusive, foi a principal motivadora do curso de agroecologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), criado em 2009 e já na sua terceira turma. A coordenadora do curso, Anastácia Fontanetti, acredita que a ênfase nas pequenas comunidades não limita a atuação do profissional. "O curso foi criado para atender à necessidade do mercado, que exigia profissionais de agronomia com visão mais ampla tanto da parte produtiva quanto dos impactos ambiental e social."
O escopo abrangente, na opinião da coordenadora, torna o profissional com essa formação apto para trabalhar em mercados locais, com certificação de produtos orgânicos, e nas grandes empresas. "Nessas companhias, o agroecólogo pode atuar com restauração de áreas degradadas, avaliação e perícias de impacto ambiental", explica.
A relação candidato/vaga do curso, que é oferecido no campus de Araras, no interior de São Paulo, quase dobrou este ano em relação a 2010. O aumento do interesse dos alunos tem feito com que a coordenação busque parcerias com empresas e órgãos públicos. "Já recebemos pedidos de indicação para assistência técnica em agricultura orgânica", comemora. O futuro da profissão, segundo Anastácia, é promissor. "A agronomia é uma atividade que está se valorizando no Brasil. A agroecologia vai além e atende a essa demanda de sustentabilidade, que será cada vez mais cobrada do profissional."
quarta-feira, 2 de março de 2011
Saiba porque Colombo era solteiro
Essa foi enviada por e-mail pela minha mãe.
Colombo era solteiro!!!
Recentes pesquisas científicas comprovam que
Colombo só descobriu a América porque era solteiro! Se ele fosse casado,
seria obrigado a ouvir coisas assim e teria desistido:
- E por que é que você tem que ir? Por que não mandam outro?
- Você não conhece nem a minha família e quer ir descobrir outro mundo?
- E só vai homem nessa viagem? Acha que sou idiota?
- E por que eu não posso ir, se você é o chefe?
- Desgraçado, não sabe mais o que inventar pra sair de casa?
- Se cruzar esta porta, eu vou embora para a casa da minha mãe!
- Quem é Pinta? E quem é essa tal de Nina? E essa Maria, filha da ..., que ainda se diz Santa?
- Tinha tudo planejado, né?
- Já me disseram que você vai mesmo é se encontrar com umas índias! Pensa que me engana?
- A rainha Isabel vai vender suas jóias para você viajar? Acha que sou idiota ou o quê? O que é que você tem com essa piranha velha?
- Pode tirar seu cavalinho da chuva. Você não vai a porra de lugar nenhum!
Colombo era solteiro!!!
Recentes pesquisas científicas comprovam que
Colombo só descobriu a América porque era solteiro! Se ele fosse casado,
seria obrigado a ouvir coisas assim e teria desistido:
- E por que é que você tem que ir? Por que não mandam outro?
- Você não conhece nem a minha família e quer ir descobrir outro mundo?
- E só vai homem nessa viagem? Acha que sou idiota?
- E por que eu não posso ir, se você é o chefe?
- Desgraçado, não sabe mais o que inventar pra sair de casa?
- Se cruzar esta porta, eu vou embora para a casa da minha mãe!
- Quem é Pinta? E quem é essa tal de Nina? E essa Maria, filha da ..., que ainda se diz Santa?
- Tinha tudo planejado, né?
- Já me disseram que você vai mesmo é se encontrar com umas índias! Pensa que me engana?
- A rainha Isabel vai vender suas jóias para você viajar? Acha que sou idiota ou o quê? O que é que você tem com essa piranha velha?
- Pode tirar seu cavalinho da chuva. Você não vai a porra de lugar nenhum!
terça-feira, 1 de março de 2011
Universidade Humboldt como referência de universidade moderma e exemplo inspirador
O artigo abaixo cita a Universidade Humboldt (Universidade de Berlim) como referência de universidade moderna.
O nome Humboldt nos servirá sempre de inspiração para projetos inovadores.
Folha de São Paulo, 28/02/2011 - São Paulo SP
De Humboldt ao mundo da inovação
Novos ingredientes alteram os temas selecionados para a geração de conhecimentos, a forma de produzi-los e também as metodologias de ensino
RONALDO MOTA
A instituição universidade tem sua origem na Idade Média, e sua versão moderna tem como referência a Universidade de Berlim, criada em 1810 por Humboldt. A novidade da universidade humboldtiana é a incorporação da atividade de pesquisa à prática pedagógica. Uma alteração, incluindo como missão da universidade o desenvolvimento econômico regional, ocorre com a criação do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, em 1862. Posteriormente, essa nova dimensão influenciou outras instituições, inclusive europeias e asiáticas. A universidade brasileira, por sua vez, passou quase imune por essa última influência, tendo permanecido sempre de alma pretensamente humboldtiana.
Se os 200 anos que nos separam da criação da Universidade de Berlim estão plenos de mudanças, as próximas décadas reservam alterações ainda mais drásticas e rápidas. Entre as transformações em curso, o papel da inovação chama a atenção pela centralidade que ocupa. Inovação compreende um produto ou processo novo, bem como a introdução de uma qualidade ou funcionalidade inédita. Assim, inovação implica tecnologia e máquinas, mas vai além, contemplando também melhorias na gestão e novos modelos de negócios. Como ficam as universidades brasileiras nesse novo contexto de um mundo centrado em inovação? Nas últimas décadas, em sua maioria, elas têm se caracterizado pelas funções educativas clássicas e secundariamente pelas pesquisas convencionais. As universidades do presente e do futuro tendem a se transformar expressivamente, agregando às suas missões tradicionais de ensino e pesquisa a missão de servirem também como centros indutores de inovação. Esses novos ingredientes alteram os temas selecionados para a geração de conhecimentos, a forma de produzi-los e afetam também as metodologias de ensino.
Até recentemente, a figura típica do docente investigador tem sido a de um competente profissional que, em sua linha específica de pesquisa, tem por meta explorar os limites do estado da arte, tendo como referência única de sucesso as publicações em conceituadas revistas internacionais. Muitas vezes trabalha isoladamente, às vezes com um estudante de pós-graduação e muito raramente em equipe. A partir desta década, pela natureza complexa dos problemas a abordar, são inviáveis, em geral, as abordagens do ponto de vista de uma linha exclusiva de pesquisa, demandando, na maioria dos casos, a formação de equipes multidisciplinares e o trabalho em equipe, com redes de pesquisadores. Na universidade pós-humboldtiana, a demanda social passa a ser, gradativamente, o elemento central que define prioritariamente as áreas de pesquisa em curso e modula tanto a forma de pesquisar como a de transmitir conhecimentos. Ou seja, temos um longo e estimulante caminho pela frente. RONALDO MOTA, professor titular de física da Universidade Federal de Santa Maria, é secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
O nome Humboldt nos servirá sempre de inspiração para projetos inovadores.
Folha de São Paulo, 28/02/2011 - São Paulo SP
De Humboldt ao mundo da inovação
Novos ingredientes alteram os temas selecionados para a geração de conhecimentos, a forma de produzi-los e também as metodologias de ensino
RONALDO MOTA
A instituição universidade tem sua origem na Idade Média, e sua versão moderna tem como referência a Universidade de Berlim, criada em 1810 por Humboldt. A novidade da universidade humboldtiana é a incorporação da atividade de pesquisa à prática pedagógica. Uma alteração, incluindo como missão da universidade o desenvolvimento econômico regional, ocorre com a criação do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, em 1862. Posteriormente, essa nova dimensão influenciou outras instituições, inclusive europeias e asiáticas. A universidade brasileira, por sua vez, passou quase imune por essa última influência, tendo permanecido sempre de alma pretensamente humboldtiana.
Se os 200 anos que nos separam da criação da Universidade de Berlim estão plenos de mudanças, as próximas décadas reservam alterações ainda mais drásticas e rápidas. Entre as transformações em curso, o papel da inovação chama a atenção pela centralidade que ocupa. Inovação compreende um produto ou processo novo, bem como a introdução de uma qualidade ou funcionalidade inédita. Assim, inovação implica tecnologia e máquinas, mas vai além, contemplando também melhorias na gestão e novos modelos de negócios. Como ficam as universidades brasileiras nesse novo contexto de um mundo centrado em inovação? Nas últimas décadas, em sua maioria, elas têm se caracterizado pelas funções educativas clássicas e secundariamente pelas pesquisas convencionais. As universidades do presente e do futuro tendem a se transformar expressivamente, agregando às suas missões tradicionais de ensino e pesquisa a missão de servirem também como centros indutores de inovação. Esses novos ingredientes alteram os temas selecionados para a geração de conhecimentos, a forma de produzi-los e afetam também as metodologias de ensino.
Até recentemente, a figura típica do docente investigador tem sido a de um competente profissional que, em sua linha específica de pesquisa, tem por meta explorar os limites do estado da arte, tendo como referência única de sucesso as publicações em conceituadas revistas internacionais. Muitas vezes trabalha isoladamente, às vezes com um estudante de pós-graduação e muito raramente em equipe. A partir desta década, pela natureza complexa dos problemas a abordar, são inviáveis, em geral, as abordagens do ponto de vista de uma linha exclusiva de pesquisa, demandando, na maioria dos casos, a formação de equipes multidisciplinares e o trabalho em equipe, com redes de pesquisadores. Na universidade pós-humboldtiana, a demanda social passa a ser, gradativamente, o elemento central que define prioritariamente as áreas de pesquisa em curso e modula tanto a forma de pesquisar como a de transmitir conhecimentos. Ou seja, temos um longo e estimulante caminho pela frente. RONALDO MOTA, professor titular de física da Universidade Federal de Santa Maria, é secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Melhores vinhos portugueses de 2010
Valor Econômico - Eu & Prazeres - 24.02.2011 -D10
Revistas especializadas elegem os melhores de Portugal Vinhos
por Jorge Lucky
As publicações especializadas em vinhos de Portugal, "Revista de Vinhos" e "Wine - Essência do Vinho", divulgaram, como sempre fazem em suas edições de fevereiro, os melhores do ano anterior em cada categoria. Além de produtores, vinícolas, e pessoas que mais se destacaram em 2010, as duas revistas relacionam os melhores vinhos do período.
A primeira, a mais antiga do setor no país, e agora com padrão gráfico renovado, concede "Prêmios de Excelência" a rótulos que no entendimento de sua equipe de degustadores, "mais se destacaram qualitativamente". A "Wine", por sua vez, especifica e os classifica pela pontuação alcançada, um ranking que vai sendo atualizado ao longo do ano, premiando como "Vinho do Ano" aquele que terminou na liderança. Independentemente dos critérios que ambas utilizaram, as listas são sempre boa referência para saber quem está com prestígio na terrinha e quais vinhos vale correr atrás - daí minha iniciativa de especificá-los em tabela.
Para ser bem honesto, e talvez precipitado, uns dois ou três entre os premiados pela "Revista de Vinhos" não mereceriam fazer parte desse grupo (interesses em jogo?), mas vou prová-los na minha próxima ida a Portugal, em maio, torcendo para ser um devaneio da minha parte e estar equivocado.
No que diz respeito aos melhores em suas categorias, a escolha foi criteriosa, tanto que, fato pouco comum, alguns nomes foram indicados por ambas as publicação, caso de João Portugal Ramos (Personalidade do Vinho), pela "Wine", e Viticultura do Ano, pela "RV", e Sogrape, melhor produtor pela "Wine" e empresa do ano pela "RV".
João Portugal Ramos é uma das figuras mais importantes do Alentejo, tendo, primeiro como consultor, feito um grande trabalho na região, em particular na Carmim, Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsarraz, um modelo no gênero e, a propósito, eleita cooperativa de 2010 pela "RV". Foi deixando a função de assessor à medida que sua própria vinícola ganhou corpo em 1997 (representada no Brasil pela Casa Flora/Porto a Porto).
A Sogrape, por sua vez, poderia se apresentar como maior grupo vitivinícola português, mas o termo "maior" tem uma conotação de "indústria" que não faz justiça ao padrão e dedicação que o grupo impõe a cada uma de suas marcas individualmente. Comandado pela família Guedes, seu corpo técnico é de alto gabarito, com funções e responsabilidades bem especificadas, abraçando as principais regiões do país onde ela está presente, com vinhedos e adegas de vinificação próprios. Compõem seu estrelado portfólio rótulos do porte de Barca Velha e Quinta da Leda, no Douro (importados pela Zahil), os Vinhos do Porto Ferreira (Inovini), Offley (Zahil) e Sandeman (Pernod Ricard), Quinta dos Carvalhais, no Dão, Herdade do Peso, no Alentejo (ambos com Zahil), além dos projetos além mar, caso da Finca Flichman (La Pastina), em Mendoza, Framinghan, na Nova Zelândia (Zahil) e Château Los Boldos, adquirida recentemente no Chile.
Um dos prêmios de maior expressão nas listas das duas revistas sempre é o destinado ao enólogo do ano, função que pela sua grande importância gera enorme expectativa. O escolhido pela "RV" foi o talentoso e competente Francisco Olazabal, o Xito, responsável pelo irrepreensível e altamente consistente padrão de qualidade dos vinhos da Quinta do Vale Meão, propriedade de sua família. Xito, além de comandar o Meão, assessora a Quinta do Vallado (Cantu), de seus primos, a família Ferreira, e de um novo e promissor projeto no Dão, o Munda. Olazabal tem a quem puxar. É neto de Fernando Nicolau de Almeida, uma das maiores personalidades do setor em Portugal no século 20, mentor e criador do mítico Barca Velha.
A "Wine" elegeu o igualmente talentoso António Luis Cerdeira, produtor do Soalheiro Alvarinho (Mistral), uma referência em vinhos do gênero. Seu Primeiras Vinhas 2009, foi considerado "vinho do ano" pela mesma publicação e foi contemplado com o "Prêmio de Excelência" pela "RV". Da mesma região, o Minho, e mestre em trabalhar a mesma casta, alvarinho, Anselmo Mendes recebeu o título de "Produtor do Ano" pela revista.
Acompanhar ano a ano a lista de premiados pela "RV" permite não só ficar a par de quem se destacou durante o período, mas também atentar a quem possivelmente fará sucesso no futuro. E estes muitas vezes começam sendo escolhidos como "produtor revelação" pela "RV". Nas edições passadas, receberam a menção, por exemplo, Vale d'Algares (Premium), do Tejo, Altas Quintas (Decanter), Herdade do Rocim (Premium) e Solar dos Lobos (Mercovino), vinícolas que seguiram se aprimorando e hoje são opções de vinhos seguras para o consumidor sedento por bons (e ainda acessíveis) vinhos portugueses. Não é por acaso que o Solar dos Lobos Grande Escolha, listado na tabela, já tenha alcançado um "Prêmio de Excelência". Diante disso, é bom não perder de vista a Monte da Raposinha, do Tejo, selecionada em 2010.
Como vinhos de mesa e fortificados fazem parte de mundos distintos, com discernimento a "RV" tem por bem separá-los, outorgando prêmios à parte para empresa e enólogo dos dois gêneros. Assim, a vinícola selecionada este ano na categoria "vinhos generosos" foi a J. H. Andressen, uma casa familiar de pequeno porte, fundada em 1845 e nas mãos de portugueses. Apesar de pouco conhecida, a Andressen é cultuada pela crítica por seus ótimos colheitas de mais idade e belos "tawnies".
Singular, ainda, foi a escolha de Ricardo Barbeito, produtor da Madeira, como "enólogo do ano". Não só por sair fora do eixo Vinho Porto-Moscatel, celeiro de ganhadores na categoria, mas também em função de os madeiras serem bem tradicionais e não permitirem grandes inovações. Na verdade, Barbeito não inventou nada, simplesmente se esmerou nos detalhes e na melhoria da imagem desses vinhos, enfatizando, entre outras coisas, seus atributos na harmonização com a comida. Harmonização, tudo a ver. Algo bem diferente de ser lembrado apenas como componente de molhos, aqueles que contribuem para os tão difundidos "filé ao molho madeira".
Revistas especializadas elegem os melhores de Portugal Vinhos
por Jorge Lucky
As publicações especializadas em vinhos de Portugal, "Revista de Vinhos" e "Wine - Essência do Vinho", divulgaram, como sempre fazem em suas edições de fevereiro, os melhores do ano anterior em cada categoria. Além de produtores, vinícolas, e pessoas que mais se destacaram em 2010, as duas revistas relacionam os melhores vinhos do período.
A primeira, a mais antiga do setor no país, e agora com padrão gráfico renovado, concede "Prêmios de Excelência" a rótulos que no entendimento de sua equipe de degustadores, "mais se destacaram qualitativamente". A "Wine", por sua vez, especifica e os classifica pela pontuação alcançada, um ranking que vai sendo atualizado ao longo do ano, premiando como "Vinho do Ano" aquele que terminou na liderança. Independentemente dos critérios que ambas utilizaram, as listas são sempre boa referência para saber quem está com prestígio na terrinha e quais vinhos vale correr atrás - daí minha iniciativa de especificá-los em tabela.
Para ser bem honesto, e talvez precipitado, uns dois ou três entre os premiados pela "Revista de Vinhos" não mereceriam fazer parte desse grupo (interesses em jogo?), mas vou prová-los na minha próxima ida a Portugal, em maio, torcendo para ser um devaneio da minha parte e estar equivocado.
No que diz respeito aos melhores em suas categorias, a escolha foi criteriosa, tanto que, fato pouco comum, alguns nomes foram indicados por ambas as publicação, caso de João Portugal Ramos (Personalidade do Vinho), pela "Wine", e Viticultura do Ano, pela "RV", e Sogrape, melhor produtor pela "Wine" e empresa do ano pela "RV".
João Portugal Ramos é uma das figuras mais importantes do Alentejo, tendo, primeiro como consultor, feito um grande trabalho na região, em particular na Carmim, Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsarraz, um modelo no gênero e, a propósito, eleita cooperativa de 2010 pela "RV". Foi deixando a função de assessor à medida que sua própria vinícola ganhou corpo em 1997 (representada no Brasil pela Casa Flora/Porto a Porto).
A Sogrape, por sua vez, poderia se apresentar como maior grupo vitivinícola português, mas o termo "maior" tem uma conotação de "indústria" que não faz justiça ao padrão e dedicação que o grupo impõe a cada uma de suas marcas individualmente. Comandado pela família Guedes, seu corpo técnico é de alto gabarito, com funções e responsabilidades bem especificadas, abraçando as principais regiões do país onde ela está presente, com vinhedos e adegas de vinificação próprios. Compõem seu estrelado portfólio rótulos do porte de Barca Velha e Quinta da Leda, no Douro (importados pela Zahil), os Vinhos do Porto Ferreira (Inovini), Offley (Zahil) e Sandeman (Pernod Ricard), Quinta dos Carvalhais, no Dão, Herdade do Peso, no Alentejo (ambos com Zahil), além dos projetos além mar, caso da Finca Flichman (La Pastina), em Mendoza, Framinghan, na Nova Zelândia (Zahil) e Château Los Boldos, adquirida recentemente no Chile.
Um dos prêmios de maior expressão nas listas das duas revistas sempre é o destinado ao enólogo do ano, função que pela sua grande importância gera enorme expectativa. O escolhido pela "RV" foi o talentoso e competente Francisco Olazabal, o Xito, responsável pelo irrepreensível e altamente consistente padrão de qualidade dos vinhos da Quinta do Vale Meão, propriedade de sua família. Xito, além de comandar o Meão, assessora a Quinta do Vallado (Cantu), de seus primos, a família Ferreira, e de um novo e promissor projeto no Dão, o Munda. Olazabal tem a quem puxar. É neto de Fernando Nicolau de Almeida, uma das maiores personalidades do setor em Portugal no século 20, mentor e criador do mítico Barca Velha.
A "Wine" elegeu o igualmente talentoso António Luis Cerdeira, produtor do Soalheiro Alvarinho (Mistral), uma referência em vinhos do gênero. Seu Primeiras Vinhas 2009, foi considerado "vinho do ano" pela mesma publicação e foi contemplado com o "Prêmio de Excelência" pela "RV". Da mesma região, o Minho, e mestre em trabalhar a mesma casta, alvarinho, Anselmo Mendes recebeu o título de "Produtor do Ano" pela revista.
Acompanhar ano a ano a lista de premiados pela "RV" permite não só ficar a par de quem se destacou durante o período, mas também atentar a quem possivelmente fará sucesso no futuro. E estes muitas vezes começam sendo escolhidos como "produtor revelação" pela "RV". Nas edições passadas, receberam a menção, por exemplo, Vale d'Algares (Premium), do Tejo, Altas Quintas (Decanter), Herdade do Rocim (Premium) e Solar dos Lobos (Mercovino), vinícolas que seguiram se aprimorando e hoje são opções de vinhos seguras para o consumidor sedento por bons (e ainda acessíveis) vinhos portugueses. Não é por acaso que o Solar dos Lobos Grande Escolha, listado na tabela, já tenha alcançado um "Prêmio de Excelência". Diante disso, é bom não perder de vista a Monte da Raposinha, do Tejo, selecionada em 2010.
Como vinhos de mesa e fortificados fazem parte de mundos distintos, com discernimento a "RV" tem por bem separá-los, outorgando prêmios à parte para empresa e enólogo dos dois gêneros. Assim, a vinícola selecionada este ano na categoria "vinhos generosos" foi a J. H. Andressen, uma casa familiar de pequeno porte, fundada em 1845 e nas mãos de portugueses. Apesar de pouco conhecida, a Andressen é cultuada pela crítica por seus ótimos colheitas de mais idade e belos "tawnies".
Singular, ainda, foi a escolha de Ricardo Barbeito, produtor da Madeira, como "enólogo do ano". Não só por sair fora do eixo Vinho Porto-Moscatel, celeiro de ganhadores na categoria, mas também em função de os madeiras serem bem tradicionais e não permitirem grandes inovações. Na verdade, Barbeito não inventou nada, simplesmente se esmerou nos detalhes e na melhoria da imagem desses vinhos, enfatizando, entre outras coisas, seus atributos na harmonização com a comida. Harmonização, tudo a ver. Algo bem diferente de ser lembrado apenas como componente de molhos, aqueles que contribuem para os tão difundidos "filé ao molho madeira".
Matérias sobre educação e modalidades de cursos do Jornal Folha de Londrina
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Iniciação Científica para carreira acadêmica
A Iniciação Científica é uma oportunidade que o estudante tem de entrar em contato com a área científica já desde a graduação. Além disso, a participação em projetos conta pontos para quem quer seguir a pós-graduação stricto sensu. ''Na Iniciação Científica, o aluno acompanha um professor que desenvolve um trabalho de pesquisa ou um estudante de mestrado ou doutorado em suas pesquisas'', conta a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL em exercício, Carmen Neves. No momento, a universidade possui 1.200 alunos de Iniciação Científica.
Para participar, o aluno também pode ter acesso a bolsas do CNPq, e ainda da Fundação Araucária ou da própria UEL. ''Para o aluno que tem interesse, é importante que ele procure um professor orientador para se inscrever para as bolsas'', a pró-reitora avisa. Cada professor que possui um projeto recebe uma cota de bolsas, e é com eles que os alunos devem pleitear sua bolsa. Portanto, para escolher o projeto, o estudante deve levar em conta a disciplina e a linha de pesquisa que o professor segue. Ao final do projeto, o aluno deve apresentar trabalho oral e escrito a representantes do CNPq em evento que acontece todo ano na UEL, integrando as universidades estaduais.(M.F.C.)
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Mestrado profissional ganha espaço em Londrina
São poucos os mestres e doutores que trabalham em empresas, mas esta possibilidade pode ser benéfica para ambos os lados. Por isso, há dois anos, o Ministério da Educação normatizou a atividade de mestrado profissional, curso que visa formar profissionais mestres e com conhecimento para trabalhar na indústria. Mayka Pedrão, diretora de pesquisa e coordenadora do primeiro mestrado profissional em Tecnologia de Alimentos no Brasil, recém-implantado no campus da Universidade Tecnológica do Paraná em Londrina (UTF-PR), explica que, como são poucos os doutores que trabalham na indústria, o curso permite professores sem o título no corpo docente. Se o know-how do profissional for comprovado, ele pode ser agrupado ao corpo docente.
O mestrado profissional propicia ao aluno um conhecimento mais focado na dinâmica da indústria, mas ao mesmo tempo dando a ele um título de mestre. Não é como uma pós-graduação lato sensu, porque é um estudo mais aprofundado. O aluno vai afunilar sua área de atuação no momento em que procura o seu orientador para o desenvolvimento da sua dissertação. Também não é um mestrado convencional porque o aluno não precisa estar envolvido com a pesquisa clássica. Para Mayka, a região possui histórico de grande número de indústrias de alimentos, desde a grande até pequena, nas mais diferentes áreas. ''Cresce muito a busca pelo profissional na área.'' A preocupação cada vez maior com a sanidade dos alimentos, desenvolvimento de produtos, inovação e controle de qualidade pela indústria intensifica ainda mais a procura por profissionais capacitados. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Alta demanda em educação e saúde
Instituições lançam cursos nas áreas para atender necessidade da cidade
Uma considerável parcela dos cursos oferecidos pelas instituições este ano são das áreas de saúde e educação. O lançamento de cursos novos na cidade é reflexo das necessidades no mercado de trabalho, segundo declaram as instituições de ensino superior. Os onze cursos que a Universidade Norte do Paraná (Unopar) oferece pela primeira vez em 2011 atuam em três frentes: Educação, Saúde e Gestão. ''Até pelas características da cidade'', observa o coordenador de Pós-Graduação da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Paulo Afonso Espínola de Oliveira Lima. ''Temos muitos hospitais, clínicas e necessidade de mão de obra cada vez maior para que essas empresas sejam tocadas.''
Com 15 turmas já confirmadas, a pró-reitora de Pesquisa e Pós- Graduação do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Damares Tomasin Biazin, acredita que a instituição seja reconhecida pelos cursos de pós-graduação em saúde. Enfermagem Obstétrica, UTI, Saúde Coletiva e Auditoria são os tradicionalmente mais procurados, ela diz. Este último, inclusive, é recomendado pelo Ministério da Saúde. Para 2012, a previsão é que cursos de pós nas áreas de Biomedicina e Medicina Veterinária sejam ofertados pela Unifil. No pólo do Cesumar (Centro Universitário de Maringá) em Londrina, os três novos cursos ofertados são da área de educação. ''É uma necessidade hoje capacitar o professor tanto da rede pública quanto privada que não tem condições de assistir a uma aula presencial'', declara o diretor do Núcleo de Educação a Distância do Cesumar, Willian Kendrick Silva.
O diretor de Pós-Graduação e Pesquisa, Valdecir Bertoncello, considera que os cursos relacionados a educação são muito procurados por profissionais formados em licenciaturas. ''A educação é um eixo temático na pós porque tem muito professor em áreas de conhecimentos como engenharia, química, biologia que não tem formação para docência e, quando entram em sala de aula, passam por dificuldades.'' Finanças, Gestão e Direito são cursos que sempre têm procura garantida, diz o decano do campus da PUC-PR em Londrina, Charles Vezozzo. ''O Brasil tem um sistema tributário complexo'', diz. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Cursos valorizados
Para a Unifil, Londrina é referência em saúde e faltam profissionais capacitados
Reconhecidos na região, os hospitais e clínicas de Londrina atraem habitantes até de municípios vizinhos para tratamento. De carona, vem a alta demanda por profissionais capacitados na área, e os cursos de pós-graduação têm grande responsabilidade de absorvê-las. O Centro Universitário Filadélfia (Unifil) oferece três novos cursos relacionados à área de saúde. Pela primeira vez o curso de pós-graduação em Gerontologia será ofertado. ''Sabemos que a população dos idosos é a que mais tem crescido no mundo. O Brasil está em 16º lugar em população total de idosos. A previsão é que, em 2020, ele esteja na 6 posição,'' contextualiza a pró-reitora de Pesquisa e Pós Graduação da Unifil, Damares Tomasin Biazin.
Pedagogia Hospitalar - Ainda pouco presente nos hospitais, o pedagogo pode fazer diferença na vida de crianças que precisam ficar um longo tempo internadas. O curso de pós-graduação em Pedagogia Hospitalar visa capacitar esse profissional. ''Essas crianças ficam muito tristes pela ausência da escola, perdem o contato com a sociedade, agravando o quadro da doença'', afirma a coordenadora do núcleo de apoio pedagógico da Unifil, Miriam Maria Bernardi Miguel. Musicoterapia - O curso de Musicoterapia é outra novidade da Unifil. ''É voltado não só ao músico, mas a qualquer profissional que quer trabalhar com música.'' De acordo com a coordenadora, esta é uma opção também voltada à área de saúde.(M.F.C.) Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Mestres e doutores na indústria
Quem faz pós-graduação stricto sensu não precisa obrigatoriamente seguir a carreira acadêmica. Josiane Vignoli, pesquisadora no setor de Pesquisa e Desenvolvimento da Café Iguaçu, tem mestrado e doutorado na área de alimentos. Para ela, a pós stricto sensu é fundamental para a área de pesquisa dentro das indústrias. E vice-versa. Tanto que, na ocasião do doutorado, a empresa cedeu projeto de pesquisa sobre antioxidantes no café para a sua tese, e o estudo foi utilizado para desenvolver produto dentro da indústria. ''Principalmente na área de pesquisa e desenvolvimento, as indústrias exigem, no mínimo, mestrado, porque é lá que se tem ideia de como desenvolver um projeto, trabalhar com desenvolvimento de produtos'', pontua. Mesmo para quem não atua na área de pesquisa, a pós stricto sensu pode contribuir no trabalho dentro da indústria. Para o supervisor do setor de Controle de Qualidade, André Mori, mestre na área de alimentos. ''O mestrado agrega muita informação, te dá uma visão mais ampla. Principalmente no momento em que você se depara com situações não previstas, a visão da área acadêmica contribui muito.''(M.F.C.)
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Pós-graduação a distância
Modalidade oferece mais flexibilidade de horários e interatividade on-line; aulas contam também com trabalhos em grupo, leituras e dinâmicas
O crescimento do Ensino a Distância ocorre inclusive na pós-graduação. São muitas as facilidades que justificam este crescimento, mas as principais são a flexibilidade de horários e recursos midiáticos que viabilizam o aprendizado. Os cursos de pós-graduação a distância têm encontros com teleaulas. Os professores, espalhados por qualquer lugar do País, podem gerar aulas para o Brasil inteiro. Os alunos se reúnem em pólos na sua cidade para assistirem a transmissão da aula. Em cada sala, há um tutor presente que faz a mediação entre os alunos e o professor. A comunicação se dá por meio de chats.
A professora universitária Josilaine Burque Ricci Nascimento resolveu fazer um curso de especialiação EAD sobre Ensino à Distância pela praticidade e porque deseja se informar sobre esta modalidade de ensino. ''As vantagens são a a flexibilidade em relação ao tempo. A gente pode adaptar bem funções pessoais enquanto está trabalhando. Às vezes estou em casa, à noite, com a família, e posso tirar um tempo para estudar na internet.'' Acompanhando o crescimento da modalidade, ela deseja estar preparada para dar aulas no EAD no futuro. ''O que observo é que há uma expansão do Ensino à Distância no Brasil. E queira ou não, esses avanços do EAD estão chegando no presencial também.''
Também durante os encontros, os alunos têm aulas atividades, com trabalhos em grupo, leituras , dinâmicas. Nos intervalos entre um encontro e outro, os alunos encontram atividades também na internet, nas quais são acompanhadas por uma tutoria eletrônica. É preciso, no entanto, ter disciplina e organização para estudar no EAD, haja vista a autonomia dada ao aluno para estudar. O perfil do aluno do Ensino A Distância é do autodidata. A estrutura disponibilizada on-line ao alunos da Unopar Virtual conta com webaulas, avaliações virtuais, produções textuais e biblioteca digital, por onde as aulas podem ser revistas a qualquer hora. Cerca de 48 horas antes de cada aula, o material didático é disponibilizado no ambiente virtual. A Unopar é uma das instituições em Londrina que oferecem a modalidade. A instituição possui 427 pólos de apoio presencial em todos os estados.
Pela internet, também há tutoria eletrônica que o estudante pode contatar através de fóruns e mensagens. O tutor eletrônico conta com o suporte do professor e coordenação para orientar os alunos. As avaliações também são realizadas presencialmente. ''Quando o EAD começou, as pessoas vinham com desconfiança. Hoje, o EAD já está bem consolidado, e as pessoas procuram pela facilidade que permite. Poder conciliar famíla, estudo e trabalho'', declara a pró-reitora de Ensino A Distância da Unopar Virtual, Elisa Maria de Assis. ''Com a disseminação da tecnologia da comunicação e da informação, as pessoas têm procurado mais estes cursos. E a tendência é crescer bastante nos próximos anos.'' Segundo ela, o EAD na Unopar Virtual começou com 1.000 alunos e 2003 para chegar em 2011 com 130.000. Só na pós, são 5.000 alunos. ''O aluno que está inserido no mercado de trabalho, que ficou longe dos estudos por tempo sinificativo, volta a estudar com as opções que o EAD oferece.'' Este ano, a Unopar Virtual está oferecendo nove cursos novos na modalidade nas áreas de educação, saúde e gestão.
Cesumar - Na pós-graduação do Cesumar, dos 2 mil alunos mais da metade estuda pelo EAD. As aulas são transmitidas ao vivo via satélite a cada três semanas e o aluno estuda, nos intervalos, pelos ambientes virtuais. No Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o aluno tem acesso a conteúdo específico do curso e a atividades avaliativas via internet com o apoio de professor mediador para as dúvidas. No Cesumar, o estudante tem a possibilidade de assistir às aulas de casa, através da internet. A instituição possui 58 pólos espalhados pelo Brasil, inclusive em Londrina. A oferta de cursos do Cesumar este ano aumentou com mais três pós-graduações na área de educação. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Lato sensu ou stricto sensu?
Desde o primeiro ano do ensino superior, o aluno já deve pensar no seu futuro depois da graduação; saiba quais são os caminhos
Ao entrar na universidade, várias palavras e termos novos entram no vocabulário do estudante. A pós-graduação é uma delas. ''Uma coisa que muitas pessoas não sabem é que existem dois tipos de pós: lato sensu e stricto sensu'', lembra a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação em exercício da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Carmem Silvia Vieira Janeiro Neves. ''O estudante pode fazer os dois, sem demérito para nenhum, mas cada um tem sua especificidade'', ela continua. Aos ingressantes, é bom já ficar atento e se informar mais sobre o assunto, porque é no decorrer do curso que o aluno deve decidir qual lado seguir e qual a especialização que deseja fazer. A carreira profissional já começa a ser construída desde o primeiro dia de aula, observa a pró-reitora em exercício. Por isso, é importante pensar, desde o início, a direção que se quer tomar na vida profissional. ''Uma dica é, já ao longo do curso, começar a perceber dentro das várias disciplinas a que se identifica mais, tem mais vontade de se aprofundar.'' ''Antigamente, o profissional só graduava. Hoje, muitas empresas, além da experiência e histórico escolar, preferem profissionais com mais formações'', avisa a pró-reitora.
Lato sensu - A pós-graduação lato sensu é mais indicada para os estudantes que já se encontram inseridos no mercado de trabalho e desejam se especializar. Para isso, ele vai buscar, em sua instituição, as especializações. ''Estas especializações são para atender o mercado de trabalho'', diz Carmen. ''As especializações são mais rápidas. Em um ano o estudante consegue o diploma.'' A carga horária mínima é de 360 horas. No caso das residências, elas podem durar dois anos. As aulas geralmente acontecem duas vezes por semana. Os critérios de seleção para as especializações podem incluir prova escrita, entrevista e análise de currículo. Os residentes não pagam mensalidade, uma vez que estão prestando um serviço à comunidade. Já nos outros casos, a mensalidade vai variar de acordo com a área. Na conclusão do curso, o aluno precisa apresentar uma monografia. Todas as especializações da UEL disponíveis podem ser conhecidas através do site.
Stricto sensu - Na área acadêmica, atividades no decorrer do curso são determinantes para o futuro do estudante. ''Às vezes, só no fim do curso que cai a ficha e o aluno não fez estágio. Isso, para quem está prestando mestrado, pode ser fatal'', afirma Carmen. O mestrado entra na pós-graduação stricto sensu. ''Se o estudante gosta da carreira acadêmica, de ser professor de universidade, ou quer ser pesquisador, seguir carreira científica, tem que ter, no mínimo, mestrado. Em algumas áreas, sem doutorado ele não consegue pontuação em nenhum curso'', explica a pró-reitora. Dois anos é o tempo de duração de um mestrado, que exige, ao final, a apresentação de uma dissertação. No doutorado, o aluno vai aprimorar e aprofundar o trabalho realizado no mestrado, com mais quatro anos de estudos. Na conclusão, o aluno deve apresentar sua tese. Na UEL, existem 39 cursos de mestrado e 16 de doutorado.
Nem o mestrado nem o doutorado são pagos, e o estudante pode pleitear bolsas de estudo. Na UEL, são distribuídas bolsas da Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão subordinado ao Ministério da Educação, e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), subordinado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, de acordo com a classificação do aluno e com os critérios de cada curso. Na pós-graduação stricto sensu, o aluno escolhe o assunto em que deseja se aprofundar de acordo com a linha de pesquisa e o direciona na sua dissertação e tese. O processo de seleção no mestrado também envolve prova escrita, entrevista e análise de currículo. No caso do doutorado, entra na análise do currículo do aluno a publicação de artigos em revistas científicas. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Reconhecimento dos cursos
Antes de escolher o curso de pós-graduação, é importante lembrar que os cursos lato sensu podem ser oferecidos apenas por instituições de ensino superior credenciadas pelo MEC (Ministério da Educação), enquanto os stricto sensu (programas de mestrado e doutorado) devem ser autorizados, reconhecidos e renovados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Na categoria lato sensu, as instituições credenciadas devem oferecer cursos apenas nas áreas em que possuem competência e serem diretamente responsáveis pelos cursos. Diferente dos programas de mestrado e doutorado, não dependem de autorização ou reconhecimento. Os interessados podem consultar as instituições credenciadas no site emec.mec.gov.br.
Já as instituições que oferecem cursos stricto sensu precisam submeter seus programas de mestrado e doutorado a avaliação da Capes para poderem expedir diplomas com validade nacional reconhecidos pelo MEC. Os programas que integram o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) são acompanhados anualmente e avaliados trienalmente por comissões de consultores vinculados a instituições de várias regiões do País. A eles, são atribuídas notas de 1 a 7, sendo que os cursos que obtiveram nota igual ou superior a 3 são recomendados e, posteriormente, reconhecidos pela entidade.
Já as propostas de cursos novos de pós-graduação devem ser avaliados pela Capes para integrarem o SNPG. Neste caso, a Capes analisa a qualidade das propostas e se elas atendem ao padrão exigido. Para consultar a lista de cursos de pós-graduação stricto sensu, o interessado deve acessar o site da Capes (www.capes.gov.br). O Paraná possui 23 instituições de ensino superior com 320 programas de mestrado e doutorado reconhecidos pela Capes. Destes, 202 são programas de mestrado, 99 de doutorado, e 19 de mestrado profissional.(Reportagem Local)
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Master in Business Administration: o que é?
Depois de entender que existem dois tipos de pós-graduação - a stricto e a lato sensu - para muitos ainda deve ter ficado uma dúvida: e o tal MBA, o que é? O termo, muito difundido no meio acadêmico, vem do inglês Master in Business Administration, e como o próprio nome diz, é voltado à área de negócios, gestão e administração. O MBA é considerado pelo Ministério da Educação (MEC) como uma categoria de especialização lato sensu. O curso vai desenvolver no aluno capacidades que vão lhe ajudar em tarefas relacionadas a cargos de liderança, como direção e alta gerência. Um consenso relacionado à opção é que ela leva mais em conta a visão prática do
aprendizado que o teórico, sempre com o acompanhamento de estudos de caso. ‘‘No curso de economia, por exemplo, o aluno aprende a teoria básica e depois parte para estudos de caso, de situações econômicas de países, situações financeiro-econômicas de empresas’’, exemplifica José Carlos Abreu, professor e coordenador acadêmico de cursos de MBA do ISAE/FGV (Instituto Superior de Administração e Economia/ Fundação Getúlio Vargas).
No Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) Londrina, os MBAs também são uma opção. Os cinco cursos nas áreas industrial, de construção civil, de projetos e de meio ambiente, os gestores são levados a dominar ferramentas de gestão com foco na prática. ‘‘O MBA vai colocar o aluno a par do que há de mais moderno na atuação naquela ferramente de administração do dia a dia e, a partir daí, melhorar sua performance’’, afirma o coordenador executivo de MBA e Pós-Graduação do Senai Londrina, José Luis Dalto. Como qualquer outro curso lato sensu, a carga horário mínima exigida é de 360 horas. Mas uma diferença fundamental é que profissionais de qualquer área podem fazer o MBA, diferente das outras pós-graduações. Mie Francine Chiba Reportagem Local.
Iniciação Científica para carreira acadêmica
A Iniciação Científica é uma oportunidade que o estudante tem de entrar em contato com a área científica já desde a graduação. Além disso, a participação em projetos conta pontos para quem quer seguir a pós-graduação stricto sensu. ''Na Iniciação Científica, o aluno acompanha um professor que desenvolve um trabalho de pesquisa ou um estudante de mestrado ou doutorado em suas pesquisas'', conta a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL em exercício, Carmen Neves. No momento, a universidade possui 1.200 alunos de Iniciação Científica.
Para participar, o aluno também pode ter acesso a bolsas do CNPq, e ainda da Fundação Araucária ou da própria UEL. ''Para o aluno que tem interesse, é importante que ele procure um professor orientador para se inscrever para as bolsas'', a pró-reitora avisa. Cada professor que possui um projeto recebe uma cota de bolsas, e é com eles que os alunos devem pleitear sua bolsa. Portanto, para escolher o projeto, o estudante deve levar em conta a disciplina e a linha de pesquisa que o professor segue. Ao final do projeto, o aluno deve apresentar trabalho oral e escrito a representantes do CNPq em evento que acontece todo ano na UEL, integrando as universidades estaduais.(M.F.C.)
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Mestrado profissional ganha espaço em Londrina
São poucos os mestres e doutores que trabalham em empresas, mas esta possibilidade pode ser benéfica para ambos os lados. Por isso, há dois anos, o Ministério da Educação normatizou a atividade de mestrado profissional, curso que visa formar profissionais mestres e com conhecimento para trabalhar na indústria. Mayka Pedrão, diretora de pesquisa e coordenadora do primeiro mestrado profissional em Tecnologia de Alimentos no Brasil, recém-implantado no campus da Universidade Tecnológica do Paraná em Londrina (UTF-PR), explica que, como são poucos os doutores que trabalham na indústria, o curso permite professores sem o título no corpo docente. Se o know-how do profissional for comprovado, ele pode ser agrupado ao corpo docente.
O mestrado profissional propicia ao aluno um conhecimento mais focado na dinâmica da indústria, mas ao mesmo tempo dando a ele um título de mestre. Não é como uma pós-graduação lato sensu, porque é um estudo mais aprofundado. O aluno vai afunilar sua área de atuação no momento em que procura o seu orientador para o desenvolvimento da sua dissertação. Também não é um mestrado convencional porque o aluno não precisa estar envolvido com a pesquisa clássica. Para Mayka, a região possui histórico de grande número de indústrias de alimentos, desde a grande até pequena, nas mais diferentes áreas. ''Cresce muito a busca pelo profissional na área.'' A preocupação cada vez maior com a sanidade dos alimentos, desenvolvimento de produtos, inovação e controle de qualidade pela indústria intensifica ainda mais a procura por profissionais capacitados. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Alta demanda em educação e saúde
Instituições lançam cursos nas áreas para atender necessidade da cidade
Uma considerável parcela dos cursos oferecidos pelas instituições este ano são das áreas de saúde e educação. O lançamento de cursos novos na cidade é reflexo das necessidades no mercado de trabalho, segundo declaram as instituições de ensino superior. Os onze cursos que a Universidade Norte do Paraná (Unopar) oferece pela primeira vez em 2011 atuam em três frentes: Educação, Saúde e Gestão. ''Até pelas características da cidade'', observa o coordenador de Pós-Graduação da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Paulo Afonso Espínola de Oliveira Lima. ''Temos muitos hospitais, clínicas e necessidade de mão de obra cada vez maior para que essas empresas sejam tocadas.''
Com 15 turmas já confirmadas, a pró-reitora de Pesquisa e Pós- Graduação do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Damares Tomasin Biazin, acredita que a instituição seja reconhecida pelos cursos de pós-graduação em saúde. Enfermagem Obstétrica, UTI, Saúde Coletiva e Auditoria são os tradicionalmente mais procurados, ela diz. Este último, inclusive, é recomendado pelo Ministério da Saúde. Para 2012, a previsão é que cursos de pós nas áreas de Biomedicina e Medicina Veterinária sejam ofertados pela Unifil. No pólo do Cesumar (Centro Universitário de Maringá) em Londrina, os três novos cursos ofertados são da área de educação. ''É uma necessidade hoje capacitar o professor tanto da rede pública quanto privada que não tem condições de assistir a uma aula presencial'', declara o diretor do Núcleo de Educação a Distância do Cesumar, Willian Kendrick Silva.
O diretor de Pós-Graduação e Pesquisa, Valdecir Bertoncello, considera que os cursos relacionados a educação são muito procurados por profissionais formados em licenciaturas. ''A educação é um eixo temático na pós porque tem muito professor em áreas de conhecimentos como engenharia, química, biologia que não tem formação para docência e, quando entram em sala de aula, passam por dificuldades.'' Finanças, Gestão e Direito são cursos que sempre têm procura garantida, diz o decano do campus da PUC-PR em Londrina, Charles Vezozzo. ''O Brasil tem um sistema tributário complexo'', diz. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Cursos valorizados
Para a Unifil, Londrina é referência em saúde e faltam profissionais capacitados
Reconhecidos na região, os hospitais e clínicas de Londrina atraem habitantes até de municípios vizinhos para tratamento. De carona, vem a alta demanda por profissionais capacitados na área, e os cursos de pós-graduação têm grande responsabilidade de absorvê-las. O Centro Universitário Filadélfia (Unifil) oferece três novos cursos relacionados à área de saúde. Pela primeira vez o curso de pós-graduação em Gerontologia será ofertado. ''Sabemos que a população dos idosos é a que mais tem crescido no mundo. O Brasil está em 16º lugar em população total de idosos. A previsão é que, em 2020, ele esteja na 6 posição,'' contextualiza a pró-reitora de Pesquisa e Pós Graduação da Unifil, Damares Tomasin Biazin.
Pedagogia Hospitalar - Ainda pouco presente nos hospitais, o pedagogo pode fazer diferença na vida de crianças que precisam ficar um longo tempo internadas. O curso de pós-graduação em Pedagogia Hospitalar visa capacitar esse profissional. ''Essas crianças ficam muito tristes pela ausência da escola, perdem o contato com a sociedade, agravando o quadro da doença'', afirma a coordenadora do núcleo de apoio pedagógico da Unifil, Miriam Maria Bernardi Miguel. Musicoterapia - O curso de Musicoterapia é outra novidade da Unifil. ''É voltado não só ao músico, mas a qualquer profissional que quer trabalhar com música.'' De acordo com a coordenadora, esta é uma opção também voltada à área de saúde.(M.F.C.) Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Mestres e doutores na indústria
Quem faz pós-graduação stricto sensu não precisa obrigatoriamente seguir a carreira acadêmica. Josiane Vignoli, pesquisadora no setor de Pesquisa e Desenvolvimento da Café Iguaçu, tem mestrado e doutorado na área de alimentos. Para ela, a pós stricto sensu é fundamental para a área de pesquisa dentro das indústrias. E vice-versa. Tanto que, na ocasião do doutorado, a empresa cedeu projeto de pesquisa sobre antioxidantes no café para a sua tese, e o estudo foi utilizado para desenvolver produto dentro da indústria. ''Principalmente na área de pesquisa e desenvolvimento, as indústrias exigem, no mínimo, mestrado, porque é lá que se tem ideia de como desenvolver um projeto, trabalhar com desenvolvimento de produtos'', pontua. Mesmo para quem não atua na área de pesquisa, a pós stricto sensu pode contribuir no trabalho dentro da indústria. Para o supervisor do setor de Controle de Qualidade, André Mori, mestre na área de alimentos. ''O mestrado agrega muita informação, te dá uma visão mais ampla. Principalmente no momento em que você se depara com situações não previstas, a visão da área acadêmica contribui muito.''(M.F.C.)
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Pós-graduação a distância
Modalidade oferece mais flexibilidade de horários e interatividade on-line; aulas contam também com trabalhos em grupo, leituras e dinâmicas
O crescimento do Ensino a Distância ocorre inclusive na pós-graduação. São muitas as facilidades que justificam este crescimento, mas as principais são a flexibilidade de horários e recursos midiáticos que viabilizam o aprendizado. Os cursos de pós-graduação a distância têm encontros com teleaulas. Os professores, espalhados por qualquer lugar do País, podem gerar aulas para o Brasil inteiro. Os alunos se reúnem em pólos na sua cidade para assistirem a transmissão da aula. Em cada sala, há um tutor presente que faz a mediação entre os alunos e o professor. A comunicação se dá por meio de chats.
A professora universitária Josilaine Burque Ricci Nascimento resolveu fazer um curso de especialiação EAD sobre Ensino à Distância pela praticidade e porque deseja se informar sobre esta modalidade de ensino. ''As vantagens são a a flexibilidade em relação ao tempo. A gente pode adaptar bem funções pessoais enquanto está trabalhando. Às vezes estou em casa, à noite, com a família, e posso tirar um tempo para estudar na internet.'' Acompanhando o crescimento da modalidade, ela deseja estar preparada para dar aulas no EAD no futuro. ''O que observo é que há uma expansão do Ensino à Distância no Brasil. E queira ou não, esses avanços do EAD estão chegando no presencial também.''
Também durante os encontros, os alunos têm aulas atividades, com trabalhos em grupo, leituras , dinâmicas. Nos intervalos entre um encontro e outro, os alunos encontram atividades também na internet, nas quais são acompanhadas por uma tutoria eletrônica. É preciso, no entanto, ter disciplina e organização para estudar no EAD, haja vista a autonomia dada ao aluno para estudar. O perfil do aluno do Ensino A Distância é do autodidata. A estrutura disponibilizada on-line ao alunos da Unopar Virtual conta com webaulas, avaliações virtuais, produções textuais e biblioteca digital, por onde as aulas podem ser revistas a qualquer hora. Cerca de 48 horas antes de cada aula, o material didático é disponibilizado no ambiente virtual. A Unopar é uma das instituições em Londrina que oferecem a modalidade. A instituição possui 427 pólos de apoio presencial em todos os estados.
Pela internet, também há tutoria eletrônica que o estudante pode contatar através de fóruns e mensagens. O tutor eletrônico conta com o suporte do professor e coordenação para orientar os alunos. As avaliações também são realizadas presencialmente. ''Quando o EAD começou, as pessoas vinham com desconfiança. Hoje, o EAD já está bem consolidado, e as pessoas procuram pela facilidade que permite. Poder conciliar famíla, estudo e trabalho'', declara a pró-reitora de Ensino A Distância da Unopar Virtual, Elisa Maria de Assis. ''Com a disseminação da tecnologia da comunicação e da informação, as pessoas têm procurado mais estes cursos. E a tendência é crescer bastante nos próximos anos.'' Segundo ela, o EAD na Unopar Virtual começou com 1.000 alunos e 2003 para chegar em 2011 com 130.000. Só na pós, são 5.000 alunos. ''O aluno que está inserido no mercado de trabalho, que ficou longe dos estudos por tempo sinificativo, volta a estudar com as opções que o EAD oferece.'' Este ano, a Unopar Virtual está oferecendo nove cursos novos na modalidade nas áreas de educação, saúde e gestão.
Cesumar - Na pós-graduação do Cesumar, dos 2 mil alunos mais da metade estuda pelo EAD. As aulas são transmitidas ao vivo via satélite a cada três semanas e o aluno estuda, nos intervalos, pelos ambientes virtuais. No Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o aluno tem acesso a conteúdo específico do curso e a atividades avaliativas via internet com o apoio de professor mediador para as dúvidas. No Cesumar, o estudante tem a possibilidade de assistir às aulas de casa, através da internet. A instituição possui 58 pólos espalhados pelo Brasil, inclusive em Londrina. A oferta de cursos do Cesumar este ano aumentou com mais três pós-graduações na área de educação. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Lato sensu ou stricto sensu?
Desde o primeiro ano do ensino superior, o aluno já deve pensar no seu futuro depois da graduação; saiba quais são os caminhos
Ao entrar na universidade, várias palavras e termos novos entram no vocabulário do estudante. A pós-graduação é uma delas. ''Uma coisa que muitas pessoas não sabem é que existem dois tipos de pós: lato sensu e stricto sensu'', lembra a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação em exercício da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Carmem Silvia Vieira Janeiro Neves. ''O estudante pode fazer os dois, sem demérito para nenhum, mas cada um tem sua especificidade'', ela continua. Aos ingressantes, é bom já ficar atento e se informar mais sobre o assunto, porque é no decorrer do curso que o aluno deve decidir qual lado seguir e qual a especialização que deseja fazer. A carreira profissional já começa a ser construída desde o primeiro dia de aula, observa a pró-reitora em exercício. Por isso, é importante pensar, desde o início, a direção que se quer tomar na vida profissional. ''Uma dica é, já ao longo do curso, começar a perceber dentro das várias disciplinas a que se identifica mais, tem mais vontade de se aprofundar.'' ''Antigamente, o profissional só graduava. Hoje, muitas empresas, além da experiência e histórico escolar, preferem profissionais com mais formações'', avisa a pró-reitora.
Lato sensu - A pós-graduação lato sensu é mais indicada para os estudantes que já se encontram inseridos no mercado de trabalho e desejam se especializar. Para isso, ele vai buscar, em sua instituição, as especializações. ''Estas especializações são para atender o mercado de trabalho'', diz Carmen. ''As especializações são mais rápidas. Em um ano o estudante consegue o diploma.'' A carga horária mínima é de 360 horas. No caso das residências, elas podem durar dois anos. As aulas geralmente acontecem duas vezes por semana. Os critérios de seleção para as especializações podem incluir prova escrita, entrevista e análise de currículo. Os residentes não pagam mensalidade, uma vez que estão prestando um serviço à comunidade. Já nos outros casos, a mensalidade vai variar de acordo com a área. Na conclusão do curso, o aluno precisa apresentar uma monografia. Todas as especializações da UEL disponíveis podem ser conhecidas através do site.
Stricto sensu - Na área acadêmica, atividades no decorrer do curso são determinantes para o futuro do estudante. ''Às vezes, só no fim do curso que cai a ficha e o aluno não fez estágio. Isso, para quem está prestando mestrado, pode ser fatal'', afirma Carmen. O mestrado entra na pós-graduação stricto sensu. ''Se o estudante gosta da carreira acadêmica, de ser professor de universidade, ou quer ser pesquisador, seguir carreira científica, tem que ter, no mínimo, mestrado. Em algumas áreas, sem doutorado ele não consegue pontuação em nenhum curso'', explica a pró-reitora. Dois anos é o tempo de duração de um mestrado, que exige, ao final, a apresentação de uma dissertação. No doutorado, o aluno vai aprimorar e aprofundar o trabalho realizado no mestrado, com mais quatro anos de estudos. Na conclusão, o aluno deve apresentar sua tese. Na UEL, existem 39 cursos de mestrado e 16 de doutorado.
Nem o mestrado nem o doutorado são pagos, e o estudante pode pleitear bolsas de estudo. Na UEL, são distribuídas bolsas da Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão subordinado ao Ministério da Educação, e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), subordinado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, de acordo com a classificação do aluno e com os critérios de cada curso. Na pós-graduação stricto sensu, o aluno escolhe o assunto em que deseja se aprofundar de acordo com a linha de pesquisa e o direciona na sua dissertação e tese. O processo de seleção no mestrado também envolve prova escrita, entrevista e análise de currículo. No caso do doutorado, entra na análise do currículo do aluno a publicação de artigos em revistas científicas. Mie Francine Chiba Reportagem Local
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Reconhecimento dos cursos
Antes de escolher o curso de pós-graduação, é importante lembrar que os cursos lato sensu podem ser oferecidos apenas por instituições de ensino superior credenciadas pelo MEC (Ministério da Educação), enquanto os stricto sensu (programas de mestrado e doutorado) devem ser autorizados, reconhecidos e renovados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Na categoria lato sensu, as instituições credenciadas devem oferecer cursos apenas nas áreas em que possuem competência e serem diretamente responsáveis pelos cursos. Diferente dos programas de mestrado e doutorado, não dependem de autorização ou reconhecimento. Os interessados podem consultar as instituições credenciadas no site emec.mec.gov.br.
Já as instituições que oferecem cursos stricto sensu precisam submeter seus programas de mestrado e doutorado a avaliação da Capes para poderem expedir diplomas com validade nacional reconhecidos pelo MEC. Os programas que integram o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) são acompanhados anualmente e avaliados trienalmente por comissões de consultores vinculados a instituições de várias regiões do País. A eles, são atribuídas notas de 1 a 7, sendo que os cursos que obtiveram nota igual ou superior a 3 são recomendados e, posteriormente, reconhecidos pela entidade.
Já as propostas de cursos novos de pós-graduação devem ser avaliados pela Capes para integrarem o SNPG. Neste caso, a Capes analisa a qualidade das propostas e se elas atendem ao padrão exigido. Para consultar a lista de cursos de pós-graduação stricto sensu, o interessado deve acessar o site da Capes (www.capes.gov.br). O Paraná possui 23 instituições de ensino superior com 320 programas de mestrado e doutorado reconhecidos pela Capes. Destes, 202 são programas de mestrado, 99 de doutorado, e 19 de mestrado profissional.(Reportagem Local)
Folha de Londrina, 25/02/2011 - Londrina PR
Master in Business Administration: o que é?
Depois de entender que existem dois tipos de pós-graduação - a stricto e a lato sensu - para muitos ainda deve ter ficado uma dúvida: e o tal MBA, o que é? O termo, muito difundido no meio acadêmico, vem do inglês Master in Business Administration, e como o próprio nome diz, é voltado à área de negócios, gestão e administração. O MBA é considerado pelo Ministério da Educação (MEC) como uma categoria de especialização lato sensu. O curso vai desenvolver no aluno capacidades que vão lhe ajudar em tarefas relacionadas a cargos de liderança, como direção e alta gerência. Um consenso relacionado à opção é que ela leva mais em conta a visão prática do
aprendizado que o teórico, sempre com o acompanhamento de estudos de caso. ‘‘No curso de economia, por exemplo, o aluno aprende a teoria básica e depois parte para estudos de caso, de situações econômicas de países, situações financeiro-econômicas de empresas’’, exemplifica José Carlos Abreu, professor e coordenador acadêmico de cursos de MBA do ISAE/FGV (Instituto Superior de Administração e Economia/ Fundação Getúlio Vargas).
No Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) Londrina, os MBAs também são uma opção. Os cinco cursos nas áreas industrial, de construção civil, de projetos e de meio ambiente, os gestores são levados a dominar ferramentas de gestão com foco na prática. ‘‘O MBA vai colocar o aluno a par do que há de mais moderno na atuação naquela ferramente de administração do dia a dia e, a partir daí, melhorar sua performance’’, afirma o coordenador executivo de MBA e Pós-Graduação do Senai Londrina, José Luis Dalto. Como qualquer outro curso lato sensu, a carga horário mínima exigida é de 360 horas. Mas uma diferença fundamental é que profissionais de qualquer área podem fazer o MBA, diferente das outras pós-graduações. Mie Francine Chiba Reportagem Local.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Origem das sete notas musicais
Jornal do Commercio - Dicas de Português - Dad Squarisi - B14 As sete notas da acentuação gráfica
São sete as notas musicais. Nós as conhecemos de cor e salteado -- dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. O nome delas tem origem pra lá de curiosa. Até o ano 1000, a transmissão das músicas se fazia oralmente. O monge beneditino Guido Arezzo não se conformava com a restrição. Queria porque queria que as composições fossem guardadas e reproduzidas. Como? Precisavam ser escritas. Para dar nome às notas, tomou a primeira sílaba de cada verso de um hino de louvor a São João Batista. Do primeiro ao último verso, a 1ª sílaba subia de dó a si. Eis a forma latina:
Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Iohannes
Tradução: Para que teus servos/ Possam, das entranhas/ Flautas ressoar/ Teus feitos admiráveis / Absolve o pecado / Desses lábios impuros/ Ó São João.
No século 17, houve a troca de ut por dó, mais fácil de cantar. O si nasceu da abreviação de sancte Iohannes (em português, São João).
São sete as notas musicais. Nós as conhecemos de cor e salteado -- dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. O nome delas tem origem pra lá de curiosa. Até o ano 1000, a transmissão das músicas se fazia oralmente. O monge beneditino Guido Arezzo não se conformava com a restrição. Queria porque queria que as composições fossem guardadas e reproduzidas. Como? Precisavam ser escritas. Para dar nome às notas, tomou a primeira sílaba de cada verso de um hino de louvor a São João Batista. Do primeiro ao último verso, a 1ª sílaba subia de dó a si. Eis a forma latina:
Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli tuorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Iohannes
Tradução: Para que teus servos/ Possam, das entranhas/ Flautas ressoar/ Teus feitos admiráveis / Absolve o pecado / Desses lábios impuros/ Ó São João.
No século 17, houve a troca de ut por dó, mais fácil de cantar. O si nasceu da abreviação de sancte Iohannes (em português, São João).
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Oferta pública alternativa - APO
Valor Econômico - EU & Investimentos - 16.02.2011 - D1
Oferta na casca
Bancos oferecem operação alternativa para pequenas e médias abrirem capital nas bolsas dos EUA.
Por Ana Paula Ragazzi, São Paulo
As pequenas e médias empresas brasileiras, esquecidas na retomada recente de ofertas de ações no mercado doméstico, começaram a receber uma oferta tentadora: abrir o capital nos Estados Unidos.
Butiques e bancos de investimento internacionais, com ajuda de bancos médios no Brasil, estão vendendo o APO (oferta pública alternativa, na sigla em inglês) no lugar do IPO, jargão do mercado financeiro para oferta pública inicial.
Nos últimos três anos, essa operação tem sido muito comum entre companhias de pequeno porte da China e da Índia, que passaram a negociar ações nas bolsas americanas.
O primeiro passo é fundir a empresa de capital fechado com uma companhia de capital aberto dos Estados Unidos, geralmente não operacional, em sua maioria de capital de risco.
Essas "empresas-cascas" existem em grande quantidade no mercado americano, registradas em segmentos diferenciados, como o de pequenas e médias da bolsa eletrônica Nasdaq ou da American Stock Exchange (Amex), ou no chamado mercado de balcão.
Na operação, a companhia americana passa a ser a dona da brasileira, mas o acionista da empresa do Brasil fica sendo o dono da companhia americana.
Um aumento de capital com integralização de ações é realizado e, como exemplo, os brasileiros ficam com 95% da companhia, enquanto os acionistas iniciais detêm 5% - futuramente, eles podem vender a fatia e sair do negócio.
A partir de então, os bancos que estão fazendo a operação passam a trabalhar para promover uma oferta privada de ações da companhia. O próximo passo são as reuniões com investidores, nas quais será acertada a capitalização. Nesse momento, o controle permanece em mãos do acionista brasileiro, mas sua fatia é diluída, para um percentual perto de 75%, por exemplo.
Estão olhando para o Brasil o banco de investimento Rodman & Renshaw e a Halter Financial Group que já tem quatro executivos trabalhando em São Paulo.
Além deles, o banco BVA já apresenta a opção para as mais de 400 companhias de sua carteira de clientes.
Podem ser candidatas à operação empresas com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões. É imprescindível que tenham balanços auditados e revistos, por um período de três anos, por uma empresa internacional. A captação, via oferta privada, varia de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões, em média
Depois de feita a colocação, os agentes cuidam da vida inicial da companhia como empresa aberta. Fazem relatórios de cobertura, assessoram no relacionamento com investidores e aprimoram aspectos de governança, nos moldes dos trabalhos feitos pela bolsa brasileira no Bovespa Mais, mercado de acesso para pequenas e médias.
Nos últimos três anos, mais de 300 empresas indianas e chinesas lançaram mão dessa alternativa para serem negociadas nas bolsas americanas.
Artigo veiculado em janeiro na revista "The New Yorker" descreve a operação como um toque de mágica. "[As empresas chinesas] unem-se a cascas, mudam o nome, e 'presto' (como diria Merlin), estão listadas na Nasdaq ou na Amex ", diz o texto.
O ponto de crítica, reforçado pelo fato de algumas companhias não terem apresentados bons resultados após abrir o capital, é o fato de essas empresas terem vindo ao mercado sem passar por nenhum tipo de crivo dos investidores, como acontece na tradicional oferta pública inicial de ações.
Ruy Ramos de Toledo Piza, chefe da área internacional do BVA, reforça que as brasileiras serão avaliadas por uma auditoria internacional e terão de apresentar seus balanços conforme as regras contábeis americanas.
As que mais se encaixam à operação são aquelas cujos negócios têm conseguido absorver o forte crescimento da classe C no país, mas, por seu tamanho, só tem acesso a financiamento por meio de crédito bancário.
Segundo ele, na carteira de relacionamento do BVA, há companhias que têm crescido 20% ao ano e já tem um histórico para mostrar. Elas têm ainda controle familiar e governança em estágio inicial.
Uma das vantagens apontadas por essa operação é o fato de a empresa conseguir uma avaliação de preço maior do que se se associasse a um fundo de investimentos em participações. Os "private equities" costumam colocar descontos para entrar nas companhias, entre outras razões, porque não sabem quando haverá uma "janela de liquidez" para poder se desfazer com lucro de sua participação.
Na oferta alternativa, a empresa fica com cotação na bolsa, e terá um preço de mercado e liquidez praticamente imediata.
Marat Rosenberg, sócio Halter Financial Group, diz que a oferta alternativa possibilita à empresa conseguir condições melhores do que o crédito privado que hoje tem acesso no Brasil. Além disso, cria valor para o acionista.
"Essas operações irão impulsionar o crescimento das companhias locais", diz. Rosenberg afirma que a decisão de iniciar negócios no Brasil foi influenciada por solicitações de seus investidores, que têm interesse em colocar dinheiro no país - a Halter é líder nessas operações na China.
"A percepção é que os fatores econômicos do Brasil são os que puxam os investimentos em todas as empresas emergentes", diz. A Halter prepara, segundo ele, "algumas operações de companhias brasileiras".
Piza, do BVA, lembra ainda que, uma vez listada na bolsa americana, a empresa pode seguir vários caminhos. Pode ser alvo de aquisições ou fazer uma oferta de ações subsequente e, nesse caso, já terá uma história de empresa aberta para mostrar ao mercado o que pode levar a uma melhor avaliação.
Uma outra possibilidade, aponta, é optar pela dupla listagem. "Depois de ter acesso ao financiamento e encorpar seu negócio, a companhia pode fazer uma oferta pública no Brasil."
O BVA já prepara uma operação e tem outras 15 empresas já identificadas como candidatas.
Com relação aos custos, do ponto de vista das companhias, a operação, assessorada pelos bancos, sai por cerca de US$ 750 mil - esse valor inclui arquivamento de documentos na SEC, a CVM americana, advogados, auditores e assessoria para relacionamento com investidores. Além da assessoria legal e fiscal para o empresário brasileiro, que passa a ser dono de uma estrangeira.
Piza explica ainda que nesses níveis intermediários, os custos de registros na SEC são menores do que para uma empresa listada na Nyse. Segundo ele, o a quantidade de exigências da Sarbanes-Oxley são menores.
Para manter-se aberta na bolsa americana, nas contas do executivo do executivo do BVA, o gasto anual é próximo a US$ 250 mil.
O BVA, afirma Piza, mantém conversas com bancos e butiques de investimento americanas. De acordo com o executivo, eles percebem que um parceiro doméstico, que consiga identificar as empresas candidatas no Brasil a concretizar essa operação, faz diferença para fazer o negócio decolar. O BVA avalia a possibilidade de associar-se a um parceiro internacional para atuar nesse segmento.
"Estamos analisando qual será o melhor caminho", diz.
Entre as vantagens ainda está o fato de a operação ser concluída entre seis e oito meses, se a companhia já tiver balanço auditado. Numa oferta inicial tradicional, esse prazo pode superar um ano.
Oferta na casca
Bancos oferecem operação alternativa para pequenas e médias abrirem capital nas bolsas dos EUA.
Por Ana Paula Ragazzi, São Paulo
As pequenas e médias empresas brasileiras, esquecidas na retomada recente de ofertas de ações no mercado doméstico, começaram a receber uma oferta tentadora: abrir o capital nos Estados Unidos.
Butiques e bancos de investimento internacionais, com ajuda de bancos médios no Brasil, estão vendendo o APO (oferta pública alternativa, na sigla em inglês) no lugar do IPO, jargão do mercado financeiro para oferta pública inicial.
Nos últimos três anos, essa operação tem sido muito comum entre companhias de pequeno porte da China e da Índia, que passaram a negociar ações nas bolsas americanas.
O primeiro passo é fundir a empresa de capital fechado com uma companhia de capital aberto dos Estados Unidos, geralmente não operacional, em sua maioria de capital de risco.
Essas "empresas-cascas" existem em grande quantidade no mercado americano, registradas em segmentos diferenciados, como o de pequenas e médias da bolsa eletrônica Nasdaq ou da American Stock Exchange (Amex), ou no chamado mercado de balcão.
Na operação, a companhia americana passa a ser a dona da brasileira, mas o acionista da empresa do Brasil fica sendo o dono da companhia americana.
Um aumento de capital com integralização de ações é realizado e, como exemplo, os brasileiros ficam com 95% da companhia, enquanto os acionistas iniciais detêm 5% - futuramente, eles podem vender a fatia e sair do negócio.
A partir de então, os bancos que estão fazendo a operação passam a trabalhar para promover uma oferta privada de ações da companhia. O próximo passo são as reuniões com investidores, nas quais será acertada a capitalização. Nesse momento, o controle permanece em mãos do acionista brasileiro, mas sua fatia é diluída, para um percentual perto de 75%, por exemplo.
Estão olhando para o Brasil o banco de investimento Rodman & Renshaw e a Halter Financial Group que já tem quatro executivos trabalhando em São Paulo.
Além deles, o banco BVA já apresenta a opção para as mais de 400 companhias de sua carteira de clientes.
Podem ser candidatas à operação empresas com faturamento anual entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões. É imprescindível que tenham balanços auditados e revistos, por um período de três anos, por uma empresa internacional. A captação, via oferta privada, varia de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões, em média
Depois de feita a colocação, os agentes cuidam da vida inicial da companhia como empresa aberta. Fazem relatórios de cobertura, assessoram no relacionamento com investidores e aprimoram aspectos de governança, nos moldes dos trabalhos feitos pela bolsa brasileira no Bovespa Mais, mercado de acesso para pequenas e médias.
Nos últimos três anos, mais de 300 empresas indianas e chinesas lançaram mão dessa alternativa para serem negociadas nas bolsas americanas.
Artigo veiculado em janeiro na revista "The New Yorker" descreve a operação como um toque de mágica. "[As empresas chinesas] unem-se a cascas, mudam o nome, e 'presto' (como diria Merlin), estão listadas na Nasdaq ou na Amex ", diz o texto.
O ponto de crítica, reforçado pelo fato de algumas companhias não terem apresentados bons resultados após abrir o capital, é o fato de essas empresas terem vindo ao mercado sem passar por nenhum tipo de crivo dos investidores, como acontece na tradicional oferta pública inicial de ações.
Ruy Ramos de Toledo Piza, chefe da área internacional do BVA, reforça que as brasileiras serão avaliadas por uma auditoria internacional e terão de apresentar seus balanços conforme as regras contábeis americanas.
As que mais se encaixam à operação são aquelas cujos negócios têm conseguido absorver o forte crescimento da classe C no país, mas, por seu tamanho, só tem acesso a financiamento por meio de crédito bancário.
Segundo ele, na carteira de relacionamento do BVA, há companhias que têm crescido 20% ao ano e já tem um histórico para mostrar. Elas têm ainda controle familiar e governança em estágio inicial.
Uma das vantagens apontadas por essa operação é o fato de a empresa conseguir uma avaliação de preço maior do que se se associasse a um fundo de investimentos em participações. Os "private equities" costumam colocar descontos para entrar nas companhias, entre outras razões, porque não sabem quando haverá uma "janela de liquidez" para poder se desfazer com lucro de sua participação.
Na oferta alternativa, a empresa fica com cotação na bolsa, e terá um preço de mercado e liquidez praticamente imediata.
Marat Rosenberg, sócio Halter Financial Group, diz que a oferta alternativa possibilita à empresa conseguir condições melhores do que o crédito privado que hoje tem acesso no Brasil. Além disso, cria valor para o acionista.
"Essas operações irão impulsionar o crescimento das companhias locais", diz. Rosenberg afirma que a decisão de iniciar negócios no Brasil foi influenciada por solicitações de seus investidores, que têm interesse em colocar dinheiro no país - a Halter é líder nessas operações na China.
"A percepção é que os fatores econômicos do Brasil são os que puxam os investimentos em todas as empresas emergentes", diz. A Halter prepara, segundo ele, "algumas operações de companhias brasileiras".
Piza, do BVA, lembra ainda que, uma vez listada na bolsa americana, a empresa pode seguir vários caminhos. Pode ser alvo de aquisições ou fazer uma oferta de ações subsequente e, nesse caso, já terá uma história de empresa aberta para mostrar ao mercado o que pode levar a uma melhor avaliação.
Uma outra possibilidade, aponta, é optar pela dupla listagem. "Depois de ter acesso ao financiamento e encorpar seu negócio, a companhia pode fazer uma oferta pública no Brasil."
O BVA já prepara uma operação e tem outras 15 empresas já identificadas como candidatas.
Com relação aos custos, do ponto de vista das companhias, a operação, assessorada pelos bancos, sai por cerca de US$ 750 mil - esse valor inclui arquivamento de documentos na SEC, a CVM americana, advogados, auditores e assessoria para relacionamento com investidores. Além da assessoria legal e fiscal para o empresário brasileiro, que passa a ser dono de uma estrangeira.
Piza explica ainda que nesses níveis intermediários, os custos de registros na SEC são menores do que para uma empresa listada na Nyse. Segundo ele, o a quantidade de exigências da Sarbanes-Oxley são menores.
Para manter-se aberta na bolsa americana, nas contas do executivo do executivo do BVA, o gasto anual é próximo a US$ 250 mil.
O BVA, afirma Piza, mantém conversas com bancos e butiques de investimento americanas. De acordo com o executivo, eles percebem que um parceiro doméstico, que consiga identificar as empresas candidatas no Brasil a concretizar essa operação, faz diferença para fazer o negócio decolar. O BVA avalia a possibilidade de associar-se a um parceiro internacional para atuar nesse segmento.
"Estamos analisando qual será o melhor caminho", diz.
Entre as vantagens ainda está o fato de a operação ser concluída entre seis e oito meses, se a companhia já tiver balanço auditado. Numa oferta inicial tradicional, esse prazo pode superar um ano.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Banco de microcrédito de Bangladesh inicia atividades no Brasil
Valor Econômico - Finanças. - 15.02.2011 - C8
Gramen, o banco dos pobres, iniciará operações no Brasil
Depois de dois anos de olho no Brasil, o Grameen Bank anuncia hoje o início de seu processo de implantação no país. Fundado há 35 anos em Bangladesh pelo professor de economia Muhammad Yunus, o banco estabeleceu um programa de microcrédito para aquele país que foi replicado pelo mundo. Com o trabalho realizado no Grameen Bank, Yunus, já mundialmente conhecido como o banqueiro dos pobres, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2006.
O modelo do Grameen é emprestar quantias pequenas para pessoas que vivem na pobreza e estimulá-las a criar uma espécie de autoemprego. Em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, as atividades relacionadas ao campo predominam.
"Não fazemos caridade. A pessoa pega o empréstimo e tem que pagar por ele, com juros, inclusive", afirma H. I. Latifee, diretor-gerente do Grameen Trust, empresa-irmã do Grameen Bank. Ele está no Brasil, com Tamim Islam, diretor de desenvolvimento. Vieram assinar um empréstimo de US$ 6 milhões contraído de um banco doméstico, cujo nome e condições devem ser conhecidos hoje. A partir daí iniciam-se os trabalhos para estabelecer o Grameen no Brasil.
Os empréstimos concedidos pelo Grameen Bank deverão ser, em média, de US$ 200, seguindo modelo já adotado em outros países da América do Sul. Os juros cobrados ao ano vão variar de 20% a 25%. A cada semana, quem tomou os empréstimo deve prestar contas de suas atividades, pagar juros e direcionar um outro pedaço para a poupança.
Latifee está ao lado de Yunus desde o começo do negócio. A filosofia do banco de Bangladesh é "disciplina, união, coragem e trabalho duro", o que faz com que população do país consiga melhorar seu padrão de vida. "Acreditamos no potencial das pessoas. Em nossa visão, se dermos as condições, elas vão ter iniciativas e ideias para melhorar suas vidas", diz. "Se os mais pobres conseguirem o acesso ao capital, irão fazer o seu melhor. Mas precisam de alguém que confie neles e lhes dê a oportunidade para mostrar que podem e manter a esperança no futuro."
O Grameen, portanto, foca os menos favorecidos, mas, como qualquer outro banco, foi criado para dar lucro - que é reinvestido no próprio negócio para alimentar a concessão de empréstimos. "O nosso verdadeiro lucro é o impacto social que causamos. É melhorar a vida das pessoas."
O Grameen vai chegar ao Brasil, inicialmente, controlando uma sociedade de crédito ao microempreendedor (SCM), que precisará de autorização do Banco Central e um decreto presidencial para começar a funcionar, o que pode levar até seis meses. O mesmo modelo de sucesso em Bangladesh será replicado por aqui. O Brasil um dos poucos países da América do Sul em que o banco ainda não iniciou as operações. Latifee diz que não sabe dizer exatamente por quê. "Temos uma imagem do Brasil como um país rico, que está crescendo muito. Mas sabemos dos problemas de distribuição de renda", conta.
Ele reconhece que um fator decisivo para a vinda do banco ao país foi o envolvimento da advogada Marina Procknor, 33, sócia do escritório Mattos Filho, com 15 anos de experiência com o mercado financeiro. Em outubro do ano passado, Marina passou três semanas em Bangladesh estagiando no Grameen. E de lá acertou que o Mattos Filho seria o escritório do banco no Brasil. A associação foi estabelecida dentro do programa de "pro bono" (sem remuneração) do escritório brasileiro. "Marina mostrou ser uma pessoa muito comprometida a nos ajudar a auxiliar os mais pobres", diz Latifee.
Agora, os executivos d e Bangladesh vão estudar com dedicação o Brasil para definir os critérios do banco por aqui, mas eles deverão seguir os moldes de programas já implementados na Colômbia, México ou Argentina, daí a estimativa de que os empréstimos por aqui serão da ordem de US$ 200. "A lógica é que a pessoa passe a ter noção de seu fluxo de caixa e aprenda a lidar com as finanças", diz Marina. Ela explica que o Grameen quer chegar às pessoas que hoje não são atendidas pelos bancos no país. Elas podem começar com alguma atividade simples, por exemplo uma mulher que inicie uma produção caseira de doces.
"À medida que for aprendendo a lidar com o dinheiro, pode contrair empréstimos maiores, até conseguir montar seu próprio negócio", diz a advogada.
Quando já tiverem melhorado o padrão de vida, a ideia é que saiam da carteira do Grameen e passem a ser atendidos pelos bancos de varejo tradicionais.
Um executivo virá de Bangladesh para a gestão das operações por aqui. Também haverá treinamento para os agentes de campo, que entrarão em contato com os clientes e serão brasileiros. Um conselho de administração será formado. Latifee não faz previsões para o início das operações. "Começarão assim que for possível." Ele diz que está entusiasmado com o Brasil, assim como com outros lugares do mundo - ele divide suas viagens internacionais entre os 40 países onde o Grameen já está e aqueles em que pode ingressar. "Nós podemos ter sucesso em qualquer lugar em que exista a pobreza", conta.
Provavelmente, as atividades no país se iniciarão no Sudeste. Depois de viabilizar a ideia, a intenção é espalhá-la pelo país, até que a operação ganhe volume e o Grameen funcione aqui também como um banco.
A maior parte dos clientes do bancos pelo mundo é formada por mulheres, 97%. Segundo Latifee, a experiência mostra que, nas camadas mais pobres, as mulheres têm menos acesso a financiamentos do que os homens. "Quando elas conseguem esse empréstimo, se dedicam muito para aproveitar a oportunidade e manter essa linha aberta e contínua", diz, acrescentando que a mulher tende a ser mais preocupada com o futuro, especialmente o dos filhos.
Gramen, o banco dos pobres, iniciará operações no Brasil
Depois de dois anos de olho no Brasil, o Grameen Bank anuncia hoje o início de seu processo de implantação no país. Fundado há 35 anos em Bangladesh pelo professor de economia Muhammad Yunus, o banco estabeleceu um programa de microcrédito para aquele país que foi replicado pelo mundo. Com o trabalho realizado no Grameen Bank, Yunus, já mundialmente conhecido como o banqueiro dos pobres, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2006.
O modelo do Grameen é emprestar quantias pequenas para pessoas que vivem na pobreza e estimulá-las a criar uma espécie de autoemprego. Em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, as atividades relacionadas ao campo predominam.
"Não fazemos caridade. A pessoa pega o empréstimo e tem que pagar por ele, com juros, inclusive", afirma H. I. Latifee, diretor-gerente do Grameen Trust, empresa-irmã do Grameen Bank. Ele está no Brasil, com Tamim Islam, diretor de desenvolvimento. Vieram assinar um empréstimo de US$ 6 milhões contraído de um banco doméstico, cujo nome e condições devem ser conhecidos hoje. A partir daí iniciam-se os trabalhos para estabelecer o Grameen no Brasil.
Os empréstimos concedidos pelo Grameen Bank deverão ser, em média, de US$ 200, seguindo modelo já adotado em outros países da América do Sul. Os juros cobrados ao ano vão variar de 20% a 25%. A cada semana, quem tomou os empréstimo deve prestar contas de suas atividades, pagar juros e direcionar um outro pedaço para a poupança.
Latifee está ao lado de Yunus desde o começo do negócio. A filosofia do banco de Bangladesh é "disciplina, união, coragem e trabalho duro", o que faz com que população do país consiga melhorar seu padrão de vida. "Acreditamos no potencial das pessoas. Em nossa visão, se dermos as condições, elas vão ter iniciativas e ideias para melhorar suas vidas", diz. "Se os mais pobres conseguirem o acesso ao capital, irão fazer o seu melhor. Mas precisam de alguém que confie neles e lhes dê a oportunidade para mostrar que podem e manter a esperança no futuro."
O Grameen, portanto, foca os menos favorecidos, mas, como qualquer outro banco, foi criado para dar lucro - que é reinvestido no próprio negócio para alimentar a concessão de empréstimos. "O nosso verdadeiro lucro é o impacto social que causamos. É melhorar a vida das pessoas."
O Grameen vai chegar ao Brasil, inicialmente, controlando uma sociedade de crédito ao microempreendedor (SCM), que precisará de autorização do Banco Central e um decreto presidencial para começar a funcionar, o que pode levar até seis meses. O mesmo modelo de sucesso em Bangladesh será replicado por aqui. O Brasil um dos poucos países da América do Sul em que o banco ainda não iniciou as operações. Latifee diz que não sabe dizer exatamente por quê. "Temos uma imagem do Brasil como um país rico, que está crescendo muito. Mas sabemos dos problemas de distribuição de renda", conta.
Ele reconhece que um fator decisivo para a vinda do banco ao país foi o envolvimento da advogada Marina Procknor, 33, sócia do escritório Mattos Filho, com 15 anos de experiência com o mercado financeiro. Em outubro do ano passado, Marina passou três semanas em Bangladesh estagiando no Grameen. E de lá acertou que o Mattos Filho seria o escritório do banco no Brasil. A associação foi estabelecida dentro do programa de "pro bono" (sem remuneração) do escritório brasileiro. "Marina mostrou ser uma pessoa muito comprometida a nos ajudar a auxiliar os mais pobres", diz Latifee.
Agora, os executivos d e Bangladesh vão estudar com dedicação o Brasil para definir os critérios do banco por aqui, mas eles deverão seguir os moldes de programas já implementados na Colômbia, México ou Argentina, daí a estimativa de que os empréstimos por aqui serão da ordem de US$ 200. "A lógica é que a pessoa passe a ter noção de seu fluxo de caixa e aprenda a lidar com as finanças", diz Marina. Ela explica que o Grameen quer chegar às pessoas que hoje não são atendidas pelos bancos no país. Elas podem começar com alguma atividade simples, por exemplo uma mulher que inicie uma produção caseira de doces.
"À medida que for aprendendo a lidar com o dinheiro, pode contrair empréstimos maiores, até conseguir montar seu próprio negócio", diz a advogada.
Quando já tiverem melhorado o padrão de vida, a ideia é que saiam da carteira do Grameen e passem a ser atendidos pelos bancos de varejo tradicionais.
Um executivo virá de Bangladesh para a gestão das operações por aqui. Também haverá treinamento para os agentes de campo, que entrarão em contato com os clientes e serão brasileiros. Um conselho de administração será formado. Latifee não faz previsões para o início das operações. "Começarão assim que for possível." Ele diz que está entusiasmado com o Brasil, assim como com outros lugares do mundo - ele divide suas viagens internacionais entre os 40 países onde o Grameen já está e aqueles em que pode ingressar. "Nós podemos ter sucesso em qualquer lugar em que exista a pobreza", conta.
Provavelmente, as atividades no país se iniciarão no Sudeste. Depois de viabilizar a ideia, a intenção é espalhá-la pelo país, até que a operação ganhe volume e o Grameen funcione aqui também como um banco.
A maior parte dos clientes do bancos pelo mundo é formada por mulheres, 97%. Segundo Latifee, a experiência mostra que, nas camadas mais pobres, as mulheres têm menos acesso a financiamentos do que os homens. "Quando elas conseguem esse empréstimo, se dedicam muito para aproveitar a oportunidade e manter essa linha aberta e contínua", diz, acrescentando que a mulher tende a ser mais preocupada com o futuro, especialmente o dos filhos.
Operaçao do BNDES com debêntures sob investigação
O procurador da República do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Natal, confirmou ontem que abriu um inquérito civil público para apurar possíveis irregularidades na operação de aquisição de títulos no valor de R$ 3,4 bilhões do frigorífico JBS pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele esclareceu que ainda está aguardando informações do banco.
O comunicado foi publicado no Diário Oficial da União de sexta-feira e noticiado pela revista "Veja" no fim de semana. O procedimento administrativo para apurar denúncias relativas a essa negociação foi convertido em inquérito civil público em 4 de fevereiro e está desde o dia 9 aguardando resposta de ofício.
O BNDES, segundo informou sua assessoria, não recebeu nenhuma notificação sobre a abertura, pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, de inquérito civil público relativo à aquisição de títulos do grupo JBS. O banco ratificou, contudo, seu compromisso com a transparência de suas operações e reforçou que está à disposição do MPFRJ e de qualquer órgão oficial fiscalizador para prestar todos e quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários. Também procurado pelo Valor, o JBS foi na mesma direção: "Todas as operações da companhia são transparentes, públicas e realizadas de acordo com as regras do mercado de capitais e com as respectivas leis", afirmou a empresa por meio de sua assessoria.
Valor Econômico - EU & S.A. - 15.02.2011 - D11
Procurador investiga BNDES e JBS
O BNDES é sócio do frigorífico JBS desde 2007, quando realizou um aporte de capital em ações na companhia de R$ 1,13 bilhão, equivalente à aquisição de 139 milhões em ações, para o frigorífico aprofundar sua internacionalização por meio da compra da Swift nos EUA. Outro aporte no JBS foi feito pelo banco em 2008, no valor de R$ 1,6 bilhão e equivalente à aquisição de 230 milhões de ações do frigorífico. Esse segundo aporte foi feito para capitalizar a empresa para a aquisição de uma outra companhia nos EUA. Esses dois aportes de capital garantiram ao BNDES uma participação de 20,6% no capital do frigorífico.
No fim de 2009, quando o JBS partiu para a incorporação do grupo Bertin e para outra aquisição nos EUA, fez uma oferta de debêntures de R$ 3,4 bilhões compradas pelo BNDES com cláusula em contrato que permite ao banco converter esses títulos em ações até o fim de 2011. É essa operação que o procurador Carlos Alberto Natal está investigando. Depois dela, porém, houve novidades. Em dezembro, o JBS anunciou que negocia com o BNDES uma operação de recompra dessas debêntures no valor de R$ 3,4 bilhões permutáveis em ações e a emissão de R$ 4 bilhões de debêntures conversíveis em ações. Na prática, essa nova emissão, quando concretizada, substituirá a primeira. (Colaborou Fernando Lopes, de São Paulo)
O comunicado foi publicado no Diário Oficial da União de sexta-feira e noticiado pela revista "Veja" no fim de semana. O procedimento administrativo para apurar denúncias relativas a essa negociação foi convertido em inquérito civil público em 4 de fevereiro e está desde o dia 9 aguardando resposta de ofício.
O BNDES, segundo informou sua assessoria, não recebeu nenhuma notificação sobre a abertura, pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, de inquérito civil público relativo à aquisição de títulos do grupo JBS. O banco ratificou, contudo, seu compromisso com a transparência de suas operações e reforçou que está à disposição do MPFRJ e de qualquer órgão oficial fiscalizador para prestar todos e quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários. Também procurado pelo Valor, o JBS foi na mesma direção: "Todas as operações da companhia são transparentes, públicas e realizadas de acordo com as regras do mercado de capitais e com as respectivas leis", afirmou a empresa por meio de sua assessoria.
Valor Econômico - EU & S.A. - 15.02.2011 - D11
Procurador investiga BNDES e JBS
O BNDES é sócio do frigorífico JBS desde 2007, quando realizou um aporte de capital em ações na companhia de R$ 1,13 bilhão, equivalente à aquisição de 139 milhões em ações, para o frigorífico aprofundar sua internacionalização por meio da compra da Swift nos EUA. Outro aporte no JBS foi feito pelo banco em 2008, no valor de R$ 1,6 bilhão e equivalente à aquisição de 230 milhões de ações do frigorífico. Esse segundo aporte foi feito para capitalizar a empresa para a aquisição de uma outra companhia nos EUA. Esses dois aportes de capital garantiram ao BNDES uma participação de 20,6% no capital do frigorífico.
No fim de 2009, quando o JBS partiu para a incorporação do grupo Bertin e para outra aquisição nos EUA, fez uma oferta de debêntures de R$ 3,4 bilhões compradas pelo BNDES com cláusula em contrato que permite ao banco converter esses títulos em ações até o fim de 2011. É essa operação que o procurador Carlos Alberto Natal está investigando. Depois dela, porém, houve novidades. Em dezembro, o JBS anunciou que negocia com o BNDES uma operação de recompra dessas debêntures no valor de R$ 3,4 bilhões permutáveis em ações e a emissão de R$ 4 bilhões de debêntures conversíveis em ações. Na prática, essa nova emissão, quando concretizada, substituirá a primeira. (Colaborou Fernando Lopes, de São Paulo)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Itamar Franco defende candidatura avulsa para o executivo
Valor Econômico - Política - 11.02.2011 - A11
Itamar proporá fim da reeleição e condidatura avulsa
Integrante da comissão de senadores criada ontem pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para apresentar proposta de reforma política em 45 dias, o ex-presidente Itamar Franco (PPS-MG) vai propor o fim da reeleição para chefes do Poder Executivo e a adoção no país da candidatura avulsa, pela qual o político pode disputar uma eleição sem vínculo partidário.
A tese do fim da reeleição tem a simpatia de Sarney, que diz preferir um mandato maior para o governante, de cinco ou seis anos, em vez da possibilidade de recondução. Uma eventual extinção do princípio da reeleição não atingiria os atuais chefes de Executivos, eleitos sob a regra atual.
A proposta de candidatura avulsa - defendida pela ex-senadora Marina Silva (PV-AC) em seu discurso de despedida do Senado - é vista por Itamar como uma saída para o "domínio das cúpulas partidárias", que decidem quem pode disputar eleição no país. Para ele, a tese da lista fechada de candidatos, que tem defensores no Congresso, dificultaria ainda mais a participação de políticos novos.
A ideia de permitir candidatos avulsos também não é descartada pelo presidente do Senado, que vê nela a possibilidade de se "evitar as ditaduras partidárias". Para Sarney, a principal alteração necessária no sistema eleitoral do país é o fim do voto proporcional, adotado na eleição de deputados estaduais, federais e vereadores. Por esse sistema, o candidato pode não ser eleito, mesmo obtendo boa votação, porque ele depende das vagas conquistadas pelo partido ou coligação - o que segue um cálculo matemático, que leva em conta número de votos e vagas disputadas.
A constituição de uma comissão para elaborar uma proposta de reforma política é vista com ceticismo na Casa. O tema é um dos mais constantes dos discursos parlamentares, mas as propostas nunca saem do papel por causa das divergências entre os partidos.
O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) vai presidir o grupo, que será integrado pelos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Collor (PTB-AL), pelos ex-governadores Aécio Neves (PSDB-MG), Roberto Requião (PMDB-PR), Luiz Henrique (PMDB-SC), Wellington Dias (PT-PI), Jorge Viana (PT-AC) e Eduardo Braga (PMDB-AM), além de Pedro Taques (PDT-MT), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e Demóstenes Torres (DEM-GO) - este último presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último biênio.
Outros seis foram indicados suplentes: Humberto Costa (PT-PE), Vital Filho (PMDB-PB), Waldemir Moka (PMDB-MS), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Vicentinho Alves (PR-TO)
A tarefa da comissão é analisar os projetos sobre o assunto que estão tramitando na Casa, realizar audiências públicas com especialistas e elaborar uma proposta para ser submetida à votação.
Desanima alguns integrantes da comissão o fato de que, mesmo que consigam consenso em torno de um texto, ele terá de ser submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ao plenário e, depois, à Câmara dos Deputados - Casa que, por sua vez, deverá constituir sua própria comissão, segundo o presidente, Marco Maia (PT-RS).
Sobre reforma política, as divergências existem até internamente, num mesmo partido. Aécio Neves afirmou, em discurso, que a proposta de reforma política deve conter pelo menos três pontos: voto distrital misto, financiamento público de campanha e uma cláusula de barreira para os partidos que não conseguem representação mínima no Congresso.
O ex-governador paulista José Serra (PSDB), em reunião com deputados do seu partido, defendeu o voto distrital, mas considerou o financiamento público "uma tragédia".
O petista Wellington Dias, ex-governador do Piauí e também integrante da comissão especial criada por Sarney, cita o financiamento público como um dos pontos da reforma política, assim como melhoria das regras de fidelidade partidária, com o fim das coligações nas eleições proporcionais e a unificação das eleições, para que elas não ocorram de dois em dois anos.
Itamar proporá fim da reeleição e condidatura avulsa
Integrante da comissão de senadores criada ontem pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para apresentar proposta de reforma política em 45 dias, o ex-presidente Itamar Franco (PPS-MG) vai propor o fim da reeleição para chefes do Poder Executivo e a adoção no país da candidatura avulsa, pela qual o político pode disputar uma eleição sem vínculo partidário.
A tese do fim da reeleição tem a simpatia de Sarney, que diz preferir um mandato maior para o governante, de cinco ou seis anos, em vez da possibilidade de recondução. Uma eventual extinção do princípio da reeleição não atingiria os atuais chefes de Executivos, eleitos sob a regra atual.
A proposta de candidatura avulsa - defendida pela ex-senadora Marina Silva (PV-AC) em seu discurso de despedida do Senado - é vista por Itamar como uma saída para o "domínio das cúpulas partidárias", que decidem quem pode disputar eleição no país. Para ele, a tese da lista fechada de candidatos, que tem defensores no Congresso, dificultaria ainda mais a participação de políticos novos.
A ideia de permitir candidatos avulsos também não é descartada pelo presidente do Senado, que vê nela a possibilidade de se "evitar as ditaduras partidárias". Para Sarney, a principal alteração necessária no sistema eleitoral do país é o fim do voto proporcional, adotado na eleição de deputados estaduais, federais e vereadores. Por esse sistema, o candidato pode não ser eleito, mesmo obtendo boa votação, porque ele depende das vagas conquistadas pelo partido ou coligação - o que segue um cálculo matemático, que leva em conta número de votos e vagas disputadas.
A constituição de uma comissão para elaborar uma proposta de reforma política é vista com ceticismo na Casa. O tema é um dos mais constantes dos discursos parlamentares, mas as propostas nunca saem do papel por causa das divergências entre os partidos.
O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) vai presidir o grupo, que será integrado pelos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Collor (PTB-AL), pelos ex-governadores Aécio Neves (PSDB-MG), Roberto Requião (PMDB-PR), Luiz Henrique (PMDB-SC), Wellington Dias (PT-PI), Jorge Viana (PT-AC) e Eduardo Braga (PMDB-AM), além de Pedro Taques (PDT-MT), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e Demóstenes Torres (DEM-GO) - este último presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último biênio.
Outros seis foram indicados suplentes: Humberto Costa (PT-PE), Vital Filho (PMDB-PB), Waldemir Moka (PMDB-MS), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Vicentinho Alves (PR-TO)
A tarefa da comissão é analisar os projetos sobre o assunto que estão tramitando na Casa, realizar audiências públicas com especialistas e elaborar uma proposta para ser submetida à votação.
Desanima alguns integrantes da comissão o fato de que, mesmo que consigam consenso em torno de um texto, ele terá de ser submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ao plenário e, depois, à Câmara dos Deputados - Casa que, por sua vez, deverá constituir sua própria comissão, segundo o presidente, Marco Maia (PT-RS).
Sobre reforma política, as divergências existem até internamente, num mesmo partido. Aécio Neves afirmou, em discurso, que a proposta de reforma política deve conter pelo menos três pontos: voto distrital misto, financiamento público de campanha e uma cláusula de barreira para os partidos que não conseguem representação mínima no Congresso.
O ex-governador paulista José Serra (PSDB), em reunião com deputados do seu partido, defendeu o voto distrital, mas considerou o financiamento público "uma tragédia".
O petista Wellington Dias, ex-governador do Piauí e também integrante da comissão especial criada por Sarney, cita o financiamento público como um dos pontos da reforma política, assim como melhoria das regras de fidelidade partidária, com o fim das coligações nas eleições proporcionais e a unificação das eleições, para que elas não ocorram de dois em dois anos.
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